Empirical Articles

Estudo Exploratório Sobre as Motivações Percebidas no uso Excessivo da Internet em Adolescentes e Jovens Adultos

An Exploratory Study on the Perceived Motivations Underpinning Excessive Internet Use Among Adolescents and Young Adults

Halley Pontes*a, Ivone Patrãob

Resumo

Objetivo: Não está claro na literatura se as pessoas que usam a internet excessivamente estão a maior parte do tempo envolvidas de uma forma generalizada ou se, de facto, o uso excessivo se encontra associado a atividades online específicas. O presente estudo teve como objetivo geral a avaliação das mudanças percebidas no comportamento online face a cenários hipotéticos no contexto virtual.

Método: A amostra foi constituída por 144 (idades: M = 21; DP = 11.94) utilizadores de internet. As atividades preferidas na internet, a sua indisponibilidade e as horas online foram avaliadas em concomitância com a perceção da qualidade de vida geral, face à perceção subjetiva de dependência da internet através de uma metodologia exploratória.

Resultados: Verificou-se uma tendência para a preferência de acesso móvel à internet e maior popularidade das atividades online de natureza social. Adicionalmente, a ausência das aplicações favoritas reduziriam significativamente o tempo despendido online e cerca de um terço dos utilizadores optariam por não acederem mais à internet sem as aplicações e funções preferidas. Por fim, a perceção de qualidade de vida geral variou significativamente em função do número de anos de utilização da internet e da perceção subjectiva de dependência da internet, que não obstante, variou em função dos sexos.

Conclusão: O comportamento online parece ser de natureza específica e não generalizado tal como expresso pelas preferências dos participantes. Limitações e implicações são discutidas.

Palavras-Chave: online, preferências, internet, dependência

Abstract

Objective: It is not clear in the literature whether people who engage in excessive Internet use spend most of their time just surfing in general, or if the excessive behaviour is associated with other specific online functions or applications. In the present study, the possible outcomes in the perceived online behaviours using hypothetical scenarios where participants' favourite applications would not be accessible online were investigated.

Method: The sample comprised 144 Portuguese (age: M = 21; SD = 11.94) speakers Internet users recruited from online forums and communities. Preference for specific online content and its unavailability and time spent online were analysed along with perceived quality of life in relation to Internet addiction when self-diagnosed.

Results: A trend for preferring mobile Internet access was found while the unavailability of favourite applications seemed to significantly decrease time spent online. Moreover, nearly one third of the sample would not access the Internet anymore without their favourite applications. Perceived quality of life was found to vary significantly in relation to the amount of years online and Internet addiction self-diagnosis. Moreover, the internet addiction self-diagnosis was influenced by participants' sex.

Conclusion: Online behaviour appears to be more specific in nature rather than generalised. Limitations and implications of the present findings are further discussed.

Keywords: online, preferences, Internet, addiction

Psychology, Community & Health, 2014, Vol. 3(2), doi:10.5964/pch.v3i2.93

Received: 2014-01-25. Accepted: 2014-05-14. Published (VoR): 2014-07-22.

Handling Editor: Pedro Alexandre Costa, Psychology & Health Research Unit (UIPES); ISPA - Instituto Universitário Lisbon, Portugal

*Corresponding author at: Nottingham Trent University Graduate School, Burton Street, NG1 4BU, Nottingham, United Kingdom. E-mail: halley.pontes2013@my.ntu.ac.uk

This is an open access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution License (http://creativecommons.org/licenses/by/3.0), which permits unrestricted use, distribution, and reproduction in any medium, provided the original work is properly cited.

Introdução [TOP]

Atualmente, o acesso por parte dos cidadãos aos novos meios de tecnologia de informação e comunicação constituem-se como condições substanciais para o desenvolvimento da contemporânea sociedade da informação e do conhecimento. No caso específico da internet, o seu uso excessivo tem sido debatido ao longo da literatura psicológica desde a década de 1990, tendo sido identificadas uma série de consequências negativas associadas (Brenner, 1997; Greenfield, 1999; Griffiths, 1999; Young, 1998). Além disso, o uso excessivo quando acompanhado por sintomas obsessivos e/ou compulsivos (que, porventura, controlam o comportamento do indivíduo), foi designado de ‘Dependência da internet’ (Young, 1999a, 1999b).

Segundo os dados divulgados pela PORDATA (2013) relativamente à utilização da internet entre os estudantes portugueses do ensino básico, secundário e superior, o número de alunos que acedem à internet é maior em função do nível de escolaridade, sendo que os números têm vindo a aumentar exponencialmente com o decorrer dos anos e o aumento da escolaridade. Em 2002, apenas 8.5% dos alunos do ensino básico, 56.9% dos alunos ensino do secundário, e 68.6% dos alunos do ensino superior utilizavam a internet (PORDATA, 2013). Em 2013, os números aumentaram exponencialmente sendo que atualmente, 43.1% dos alunos do ensino básico, 94% do ensino secundário e 95.3% do ensino superior utilizam a internet (PORDATA, 2013).

A internet representa um mundo virtual com vários ambientes e contextos únicos e/ou atividades que vão desde a consulta de e-mails, compras até às apostas online. Segundo Griffiths e Szabo (2014), é incorreto, na maioria dos casos, afirmar que a dependência da internet (específica), quando baseada em certo ambiente ou aspeto particular, seja equivalente à dependência da internet (generalizada) per se, uma vez que esta última falha ao não ter em conta o foco principal ou o objeto da dependência (e.g., apostas online, video gaming, redes sociais, compras, sexo, trabalho, etc.).

Griffiths (2000a) argumenta que deve ser feita a distinção entre as dependências na internet e a dependência da internet. Para este efeito, o autor cita o exemplo de um indivíduo dependente de apostas online e de um jogador de video games online; ambos escolhem o envolvimento no comportamento online escolhido, enfatizando que a internet é apenas o ambiente onde essas pessoas desempenham os comportamentos aditivos. Assim sendo, tanto o apostador como o jogador online descritos, apresentam dependências na internet ao invés de dependência da internet. Contudo, Griffiths (2000b, 2001) observa que alguns comportamentos realizados online (e.g., cyber-sex, cyber-stalking, etc.) só podem ocorrer na internet e não fora desse contexto, uma vez que a internet é anónima, sem contactos face a face e desinibidora por natureza.

Apesar dos recentes debates e controvérsias (Petry & O’Brien, 2013; Pies, 2009) que rodeiam o conceito da dependência da internet, o seu abandono por completo poderia ser prematuro (Griffiths & Szabo, 2014). No contexto clínico, a dependência da internet pode vir a ser um diagnóstico útil, com algumas semelhanças às perturbações relacionadas com o uso de substâncias que apresentam, muitas vezes, variados objetos de dependência, porém, são geralmente aceites e designados por um termo funcional (i.e., mais geral) (Griffiths & Szabo, 2014).

Para melhor compreender como e o ao quê concretamente as pessoas de facto são atraídas no ambiente virtual, torna-se necessário identificar as suas áreas ou ambientes online preferidos, e avaliar as mudanças esperadas ocorridas caso essas áreas de preferência sejam removidas ou se tornem indisponíveis (Griffiths & Szabo, 2014). Desta forma, poder-se-ia observar a incidência ou não de mudanças no comportamento online. Dois possíveis resultados poderiam ser esperados face a este cenário. Num primeiro momento, a remoção de um ambiente online específico poderia não produzir qualquer mudança ou alteração em relação aos padrões de utilização da internet, uma vez que os indivíduos emigrariam para outros ambientes online disponíveis. Por outro lado, a segunda possibilidade teria que ver com o menor envolvimento do indivíduo com a internet, uma vez que o seu ambiente online preferido não estaria mais acessível (Griffiths & Szabo, 2014).

A segunda hipótese resultaria em um menor número de horas despendidas online. Esta hipótese é análoga aos efeitos (teóricos e práticos) esperados da proibição de fumar cigarros em termos das taxas de prevalência do consumo de tabaco nos Estados Unidos (U.S. Department of Health & Human Services [HHS], 2006).

A dependência da internet está associada a problemas de saúde física a longo prazo (e.g., distensões musculares, lombalgia) e psicossociais (isolamento, depressão, perturbações de ansiedade, perturbações do sono, insónias, dietas irregulares, problemas familiares, insucesso académico, problemas laborais) que interferem não só na qualidade de vida do indivíduo como também em diversos níveis do seu ajustamento psicossocial (Flisher, 2010; Kuss, Griffiths, Karila, & Billieux, 2013; Murali & George, 2007).

De acordo com Morahan-Martin e Schumacher (2000), os sujeitos dependentes da internet referem como motivações para usarem a internet os seguintes aspetos e atividades: (i) encontrar novas pessoas, (ii) conteúdos adultos, (iii) suporte emocional, (iv) socializar com pessoas com os mesmos interesses, (v) jogar online, (vi) recreação e relaxar, (vii) apostas, (viii) passar o tempo, (ix) acompanhar as últimas notícias.

Apesar de um vasto conjunto de literatura sugerir maior risco de dependência da internet no sexo masculino do que no feminino (Durkee et al., 2012; Esen & Gündoğdu, 2010; Ferraro, Caci, D’Amico, & Di Blasi, 2007; Johansson & Götestam, 2004; Ko et al., 2006; Morrison & Gore, 2010; Yoo et al., 2004), as motivações para o uso da internet variam em função do sexo (Durkee et al., 2012). Por um lado, o sexo feminino procura socializar mais através do uso dos websites de redes sociais online, salas de chat, enquanto o sexo masculino tem preferência por atividades relacionadas com jogos multi-users online e jogos single-user (Ak, Koruklu, & Yılmaz, 2013; Durkee et al., 2012), e consulta de jornais e revistas (Ak et al., 2013).

Pelo que foi exposto e dada a escassez de estudos no contexto da utilização da internet em Portugal que permita ter acesso às motivações e subsequente comportamento online, o presente estudo tem como objetivo geral a avaliação das mudanças percebidas no comportamento online face a cenários hipotéticos no contexto virtual numa amostra de jovens portugueses. Como objetivos específicos, pretende-se avaliar: (i) quais são as três atividades online preferidas dos utilizadores de internet; (ii) quais são as mudanças esperadas a nível comportamental quando essas atividades online específicas não podem ser acedidas; e, por fim, (iii) a perceção de qualidade de vida geral na experiência de impossibilidade de acesso a atividades preferidas online, e (iv) as diferenças de sexo.

Método [TOP]

Participantes [TOP]

A amostra foi constituída por 144 participantes, com 21 anos de média de idade (DP = 11.94), com 49% do sexo masculino e 51% do sexo feminino. Em termos do estado relacional, 64% dos participantes reportaram estarem num relacionamento de compromisso.

As médias das idades dos participantes diferiram significativamente em função do sexo (t(142) = -2.595, p < .05), a magnitude do efeito observada segundo Cohen (1988) foi pequena (d = .44). Neste sentido, os participantes do sexo masculino eram mais novos (M = 19.03, DP = 10.59) comparativamente aos participantes do sexo feminino (n = 74), que apresentaram uma média de idades superior (M = 24.09, DP = 12.68).

Instrumentos [TOP]

O instrumento de recolha de dados foi construído com base na investigação realizada por Griffiths e Szabo (2014).

Quanto à utilização da internet foi questionado se os participantes possuíam algum tipo de dispositivo móvel onde acediam à internet; qual o meio mais frequente de acesso à internet; quantidade de horas semanais despendidas na internet; e a duração (em anos) do uso da internet. Foi, ainda, solicitado que indicassem três (de 10 possíveis) conjuntos de funções mais acedidas na internet, entre elas: 1) jogos e/ou apostas online; 2) informações em geral e/ou notícias (incluindo desportivas e políticas); 3) administração financeira (online banking, pagamentos de contas, etc.); 4) música e cultura em geral; 5) vídeos e filmes; 6) e-mail e chat; 7) procura de amigos e/ou romances; 8) shopping/compras online; 9) conteúdo adulto; 10) redes sociais online (facebook, twitter, etc.). A seguir, os participantes responderam “sim” ou “não” à seguinte pergunta: “Se por razões técnicas, as funções que mais costuma utilizar não estivessem mais acessíveis, conectar-se-ia à mesma à internet?”. Aos participantes que responderam “sim”, era pedido seguidamente que indicassem o número horas semanais despendidas online sem essas mesmas funcionalidades. Os participantes que responderam “não” à pergunta anterior eram direcionados automaticamente para as próximas perguntas: “Se o acesso à internet fosse limitado apenas a uma atividade, qual delas escolheria?”. Sendo assim, era apresentado novamente o conjunto anterior de 10 opções possíveis de funcionalidades online.

Por fim, o questionário incluiu uma pergunta de perceção subjetiva de dependência da internet, onde os participantes indicavam numa escala de tipo Likert com 5 pontos (1 = discordo totalmente a 5 = concordo totalmente) o seu grau de concordância com a seguinte afirmação: “Considero-me dependente da internet?”. A última pergunta do questionário solicitou aos participantes que respondessem numa escala analógica visual de 10 pontos (1 = pior a 10 = melhor) a sua posição face à seguinte afirmação: “Se o acesso à internet já não fosse mais possível, a minha qualidade de vida seria:”.

Procedimentos [TOP]

Os participantes do estudo foram recrutados através da disseminação da investigação em fóruns e comunidades online específicas de língua portuguesa, onde eram redirecionados automaticamente para os questionários da investigação através de um link.

A amostra foi recolhida através do método de amostragem por conveniência tendo sido, por isso, escolhida a partir de um grupo de pessoas que se encontravam disponíveis e interessadas para participarem na investigação, podendo ser qualquer pessoa capaz de entender as instruções necessárias ao preenchimento dos instrumentos e que forneçam o consentimento informado (Haslam & McGarty, 2003).

A autorização para a disseminação da investigação entre os utilizadores foi solicitada individualmente aos moderadores e gestores de cada fórum, onde o link foi divulgado. Adicionalmente, a dimensão ética e o cumprimento das normativas para a condução de investigação online foram seguidas rigorosamente (British Psychological Society, 2010), tendo sido obtido o consentimento informado de cada participante.

Análise Estatística [TOP]

A análise estatística dos dados foi realizada com auxílio do software IBM SPSS Statistics, versão 22. Além do estudo descritivo da amostra no seu conjunto, para atingir os objetivos do presente estudo foram necessárias análises correlacionais entre as variáveis em estudo, cálculo dos respetivos coeficientes de determinação para variáveis correlacionadas, comparações múltiplas de médias com o teste t de Student e análise da magnitude do efeito através do coeficiente d de Cohen para as diferenças observadas na amostra.

Resultados [TOP]

A maioria dos participantes (77%) possuía algum tipo de dispositivo móvel do qual costumavam aceder à internet, para além do computador tradicional. Relativamente ao meio de acesso à internet mais frequente, 43.1% indicou preferir o acesso pelo computador portátil; 34% computador tradicional; 16.7% pelo telemóvel e apenas 4.9% através de tablets (ver Tabela 1).

Tabela 1

Estatística Descritiva da Utilização da Internet; Perceção Subjetiva Dependência da internet, e Perceção da Qualidade de Vida Geral

n (%)
Possui algum dispositivo móvel eletrónico com acesso à internet?
Sim 111 (77.0)
Não 33 (23.0)
Meio de utilização da internet mais frequente
Smartphone 24 (16.7)
Tablet 7 (4.9)
Computador de secretária 49 (34.0)
Computador portátil/Laptop 62 (43.1)
Outros dispositivos móveis 260 (25.9)
Funções (três) mais utilizadas na internet
Redes sociais online 93 (64.6)
Pesquisa de informações em geral e/ou notícias 93 (64.6)
Serviços de e-mail e chat 89 (61.0)
Caso o acesso à internet fosse limitado apenas a uma atividade favorita, qual escolherias?
Serviços de e-mail e chat 51 (35.4)
Pesquisa de Informações em geral e/ou notícias 36 (25.0)
Redes sociais online 24 (16.7)
Considero-me dependente da internet?
Discordo totalmente 14 (9.7)
Discordo 18 (12.5)
Não concordo nem discordo 37 (25.7)
Concordo 48 (33.3)
Concordo totalmente 27 (18.8)
Se o acesso à internet já não fosse mais possível, a minha qualidade de vida seria? Escala de tipo Likert de 10 pontos
1 (pior) 8 (5.6)
2 4 (2.8)
3 14 (9.7)
4 21 (14.6)
5 43 (29.9)
6 13 (9.0)
7 13 (9.0)
8 10 (6.9)
9 5 (3.5)
10 (melhor) 13 (9.0)

A média de horas semanais de utilização da internet na amostra foi de 28 horas (DP = 25.82). Atendendo à variável sexo, as médias diferiram significativamente (t(142) = 2.626, p = .01), representando uma magnitude do efeito pequena (d = .44) (Cohen, 1988). Por conseguinte, o sexo contribuiu para 4.6% da variabilidade na carga horária semanal na internet. Além disso, os participantes do sexo masculino apresentaram maior carga horária semanal na internet (M = 34, DP = 26.68) comparativamente aos participantes do sexo feminino (M = 23; DP = 23.92).

Quanto à pergunta relativa à quantidade de anos que os participavam utilizavam a internet, a variável sexo teve um efeito estatisticamente significativo nos anos de utilização da internet, tal como reportado pelos participantes (t(142) = 2.320, p = .02), a média de utilização da internet reportada foi de 13 anos (DP = 4.63).

As três funções preferidas na internet reportadas pelos participantes foram as redes sociais online, com 64.6% das escolhas; informações em geral e/ou notícias, com 64.6%; e e-mail e chat, com 61%. A maioria dos participantes (70.1%) indicou que acederiam à internet caso as suas aplicações favoritas não estivessem mais acessíveis, sendo que quase um terço dos participantes (29.9%) optaria por não aceder mais à internet sem as suas aplicações favoritas.

Por outro lado, em comparação com a carga horária semanal de utilização da internet, os participantes esperariam utilizar a internet por menos horas (M = 17, DP = 19.56) caso não pudessem mais aceder às suas aplicações favoritas. Esta diferença atingiu significância estatística (t(100) = -7.645, p < .001), com uma magnitude do efeito grande (d = 1.52). Observou-se também, que a indisponibilidade das aplicações contribuiu 36.9% para a variabilidade no acesso ou não à internet.

Caso o acesso à internet fosse limitado apenas a uma atividade, a atividade mais escolhida pelos participantes seria a função de e-mail e chat (35.4%, n = 51). Em relação à pergunta de perceção subjetiva de dependência da internet, tal como ilustra a Tabela 1, mais de metade dos participantes (52.1%) concordaram com a afirmação “Considero-me dependente da internet”.

Nesta questão existem diferenças significativas em função do sexo do participante (t(141.332) = 3.109, p = .002), sendo que a magnitude do efeito observada foi média (d = .52) (Cohen, 1988). Além disso, a variabilidade das respostas dadas na perceção subjetiva de dependência da internet variou 6.3% (r2= 0.063) em função do sexo. Através da Figura 1 pode-se observar que os participantes do sexo masculino se consideram dependentes da internet com maior frequência comparativamente aos participantes do sexo feminino.

Figura 1

Média das respostas, em função do sexo, na perceção da dependência da internet.

Por fim, os resultados ilustraram uma correlação estatisticamente significativa e negativa entre a perceção de qualidade de vida geral e os anos de utilização da internet (r = -.166, p = .047) (ver Tabela 2).

Tabela 2

Coeficientes de Correlação Ró de Spearman Para as Variáveis Quantitativas

1 2 3 4 5 6
1. Idade
2. Nº de horas semanais online -.089
3. Anos de utilização da internet .141 .274**
4. Nº de horas semanais online sem aplicações favoritas .160 .684** .225*
5. Perceção subjetiva de dependência -.215** .369** .238** .319**
6. Perceção de qualidade de vida geral sem internet .030 -.137 -.166* -.176 -.176*

*p < .05. **p < .01.

A perceção de qualidade de vida geral também se correlacionou significativa e negativamente com a perceção subjetiva de dependência da internet (r = -.176, p = .034). Adicionalmente, o número de anos de utilização da internet contribuiu para 2.8% (r = .027) da variabilidade da perceção de qualidade de vida geral, sendo que a perceção subjetiva de dependência por sua vez, contribuiu para 3.1% (r = .030) da variabilidade da perceção de qualidade de vida geral, concomitantemente. As diferenças na perceção de qualidade de vida geral não diferiram significativamente em função do sexo (t(141.920) = -1.195, p = .23).

Discussão [TOP]

O presente estudo avaliou as mudanças percebidas em relação à utilização da internet em função de cenários hipotéticos, onde as aplicações e funções preferidas não estariam mais acessíveis aos utilizadores de internet da presente amostra. Em média, a maioria dos utilizadores de internet deste estudo possuíam algum tipo de dispositivo móvel de onde acediam à internet. Paralelamente, verificou-se também uma tendência pela preferência ao acesso online móvel em detrimento do acesso mais tradicional (e.g., computador de secretária). Curiosamente, o acesso móvel à internet pelo telemóvel e tablets parece estar ainda em ascensão em termos da sua popularidade, visto que estes meios são os mais práticos e cómodos para navegar na internet.

Além disso, verificou-se que, em média, os utilizadores reportaram despender cerca de 29 horas semanais na internet há pelo menos 13 anos. Pela primeira vez, o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5) (American Psychiatric Association [APA], 2013) decidiu incluir uma dependência comportamental (i.e., behavioural addiction) como condição que necessita de futuros estudos. Mais precisamente, a Internet Gaming Disorder, que é entendida como uma variante da dependência da internet, mas que se relaciona com a dependência aos videojogos online. Este salto qualitativo no paradigma do entendimento das dependências através da sua extensão ao domínio comportamental (por oposição à visão restrita da dependência de substâncias) revela a importância dada pela comunidade científica aos fenómenos de dependência comportamental descritos na literatura.

Curiosamente, os indivíduos com dependência aos videojogos, despendem entre 8 a 10 horas por dia nos jogos, e pelo menos 30 horas por semana (APA, 2013), um número relativamente semelhante ao encontrado no presente estudo, o que chama a atenção para a necessidade de intervenção e prevenção.

Não obstante, os utilizadores do sexo masculino apresentaram padrões comportamentais online de maior intensidade, expressos pelo maior número de horas na internet comparativamente aos utilizadores do sexo feminino. Assim, numa faixa da população mais jovem, o sexo masculino parece constituir um fator de risco para o desenvolvimento da dependência da internet, evidência que vai ao encontro de um conjunto amplo de estudos empíricos realizados (Esen & Gündoğdu, 2010; Ko et al., 2006; Liberatore et al., 2011).

As três funções online preferidas foram as redes sociais online em conjunto com a pesquisa de informações em geral e/ou notícias, e os serviços de e-mail e chat. As aplicações mais escolhidas são sociais por natureza e permitem aos utilizadores comunicarem com outras pessoas, seja pela via assincrónica (e.g., e-mail) ou sincrónica (e.g., chat), salientando que a função relacional na internet parece ser bastante relevante e popular entre os seus utilizadores. Não obstante, quando inquiridos sobre qual a aplicação online a que acederiam caso só lhes fosse possível apenas uma, a mais escolhida foi os serviços de e-mail e chat, o que enfatiza ainda mais a dimensão social na prática da internet.

Além disso, sem essas aplicações, cerca de três em cada 10 utilizadores optariam por não aceder à internet. Estes resultados suportam, de um modo geral, a noção de que o tempo despendido online não é aleatório e/ou generalizado, uma vez que os utilizadores procuram estar envolvidos em comportamentos e atividades específicas (Griffiths & Szabo, 2014) em que, face à indisponibilidade das aplicações favoritas, o tempo despendido online reduzir-se-ia significativamente (i.e., 17 horas semanais), uma vez que outras atividades não seriam procuradas forçosamente. De facto, a possibilidade de utilização das aplicações e funções online preferidas parece contribuir de um modo significativo para a escolha de aceder ou não à internet sem essas aplicações.

Neste sentido, há uma procura de contacto social, de relacionamento com o outro, ainda que seja de forma virtual, o que pode indicar, à semelhança de outro estudo, que o tempo despendido online facilita a proximidade emocional e concomitantemente um distanciamento social (Pontes, Griffiths, & Patrão, 2014).

Num estudo semelhante realizado no Reino Unido (Widyanto, Griffiths, & Brunsden, 2011), que contou com uma amostra de 225 utilizadores de internet (69 masculino e 156 feminino), verificou-se que os utilizadores que se consideraram como dependentes da internet através da avaliação da perceção subjetiva, obtiveram scores mais elevados em testes estandardizados de avaliação da dependência da internet (i.e., IAT e IRPS), sendo que as três medidas em conjunto se encontravam fortemente correlacionadas (i.e., validade concorrente), o que sugere um poder preditivo relativamente à perceção subjetiva de dependência da internet enquanto medida. Conquanto, no presente estudo, verificou-se que os participantes que mais se consideraram dependentes da internet, eram (i) mais novos, (ii) do sexo masculino, (iii) despendiam mais horas na internet semanalmente, (iv) utilizavam-na por maior número de anos e (v) percecionaram a qualidade de vida geral como mais reduzida.

Estes resultados vão ao encontro de outros estudos que alertam para o facto dos adolescentes do sexo masculino (Durkee et al., 2012; Esen & Gündoğdu, 2010; Ferraro et al., 2007; Johansson & Götestam, 2004; Ko et al., 2006; Morrison & Gore, 2010; Yoo et al., 2004) estarem em maior risco de desenvolvimento da dependência da internet por uma série de fatores bio-psicossociais. De facto, a adolescência é um período do ciclo de vida crítico em termos de suscetibilidade às dependências em função dos fatores biológicos, psicológicos e sociais (Panayides & Walker, 2012).

Por outro lado, a perceção da qualidade de vida geral dos utilizadores de internet correlacionou-se de modo significativo e negativo com o número de anos de utilização da internet e com as medidas de perceção subjetiva de dependência da internet. Embora os efeitos de variabilidade destas duas variáveis sobre a perceção de qualidade de vida geral não tenha sido elevado, estes foram efeitos estatisticamente significativos.

Estes resultados sugerem que a perceção da qualidade de vida geral das pessoas pode ser alterada e ajustada em função do número de anos que as pessoas utilizam a internet. A este respeito, os benefícios da internet são óbvios e uma mais-valia para qualquer sociedade e cidadão, desde que utilizada com moderação e prudência. Todavia, o facto de no presente estudo se ter verificado uma correlação negativa entre a perceção de qualidade de vida geral e o número de anos de uso da internet, esta pode ser explicada parcialmente pelo facto dos utilizadores se sentirem mais dependentes da internet o que, por conseguinte, pode estar igualmente associado a uma menor perceção de qualidade de vida em função dos efeitos negativos inerentes à dependência da internet, traduzidos pela maior incidência de dependência auto-percebida pelos participantes.

O presente estudo possui limitações gerais inerentes ao tipo de delineamento e metodologia exploratória, que se prendem com: i) a reduzida dimensão da amostra, o que por conseguinte favorece ii) a pouca representatividade dos utilizadores de internet como um todo, e por fim; iii) limitações inerentes aos enviesamentos clássicos dos questionários de auto-preenchimento (e.g. desejabilidade social, aleatoriedade, efeito de halo, etc.).

Apesar das limitações inerentes a qualquer metodologia que recorra a instrumentos de auto-preenchimento, a mesma, quando realizada no contexto online pode apresentar benefícios como maior abertura para responder por parte dos participantes (Joinson, 2001), maior desinibição (Suler, 2004) e menor desejabilidade social e redução de custos (Wood & Griffiths, 2007). Além disso, a investigação online apresenta o mesmo tipo de validade científica e empírica comparativamente aos estudos realizados tradicionalmente com papel e lápis (Gosling, Vazire, Srivastava, & John, 2004; Pettit, 2002).

Deste modo, os resultados do presente estudo deverão ser interpretados com precaução, uma vez que não possuem um caráter universal que permita inferências causais (i.e., estudo correlacional). Além disso, o poder de validade externa do presente estudo pode ser incrementado com recurso a metodologias de avaliação estandardizadas e devidamente validadas psicometricamente para a população em causa.

Em suma, embora os resultados do presente estudo sejam de natureza exploratória, estes sugerem que a atração e/ou dependência da internet a um (ou mais) comportamento(s) específico(s), pode ser uma concetualização frutífera para o melhor entendimento e explicação do comportamento humano nos ambientes virtuais. Adicionalmente, os dados fornecem suporte e evidência empírica de que os futuros estudos sobre a dependência da internet devem focar-se também em aplicações online específicas ao invés de se centrarem somente no uso da internet generalizado, noção que vai ao encontro de outros estudos (e.g., Griffiths, 2000a).

Como nota para futuros estudos, sugere-se que se tente incluir uma amostra de maior dimensão por fim a corroborar, ou não, os presentes resultados. Além disso, a inclusão de participantes com diagnóstico clínico de dependência da internet poderá ajudar a melhor compreender a questão das dependências na internet vs. dependência da internet per se, explorando a sua relação com outras variáveis, como seja o estado emocional, o isolamento social e emocional, o bem-estar subjetivo, a qualidade do sono, entre outras. Desta forma, pode-se ter resultados mais compreensivos sobre a extensão dos efeitos adversos da dependência da internet na saúde mental.

Financiamento [TOP]

Os autores não têm financiamento a declarar.

Conflito de Interesses [TOP]

Os autores declaram que não existem quaisquer conflitos de interesse.

Agradecimentos [TOP]

Os autores não têm quaisquer apoios a declarar.

Referências [TOP]

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