Literature Reviews

Avaliação da Preocupação com a Forma Corporal: Um Desafio

Assessment of the Body Shape Concern: A Challenge

Wanderson Roberto Silvaa, Juliana Chioda Ribeiro Diasa, Filipa Pimentab, Juliana Alvares Duarte Bonini Campos*a

Resumo

Objetivo: Apresentar, por meio de revisão de literatura, uma abordagem teórica sobre o constructo “imagem corporal” destacando a vertente da “preocupação com a forma corporal” e as propriedades psicométricas da escala Body Shape Questionnaire (BSQ).

Método: Foi realizado um levantamento bibliográfico dos estudos publicados no período de 1987 a 2012 que estavam disponíveis na íntegra nas bases de dados Pubmed, Bireme e Scielo. A procura e seleção dos artigos foi realizada entre Janeiro e Março de 2013.

Resultados: Inicialmente foram revistos 95 artigos, sendo que fizeram parte deste estudo 40 trabalhos e um livro. Alguns estudos avaliam a preocupação com a forma corporal dos indivíduos e posteriormente relatam que aferiram a preocupação com imagem corporal, entretanto, a preocupação com a forma corporal é apenas um aspeto inerente à imagem corporal. Observam-se diferenças expressivas entre os sexos quanto às preocupações com o corpo, e a escolha do instrumento deve considerar esse fato. Existem vários instrumentos para avaliar diferentes aspetos relacionados com a imagem corporal. O instrumento mais utilizado é o BSQ, que avalia a preocupação dos indivíduos com a forma corporal. As propriedades psicométricas do BSQ não são consensuais na literatura quando aplicado a amostras distintas. Sugere-se a necessidade de realização de mais estudos na tentativa de se obter uma estrutura fatorial mais estável do BSQ.

Conclusão: Este estudo procurou alertar profissionais para a importância de se analisar o conceito teórico relacionado com os diferentes aspetos que compõem o constructo “imagem corporal”, considerando a variável sexo e as propriedades psicométricas dos instrumentos de medida.

Palavras-Chave: imagem corporal, perceção de forma, estudos de validação, questionários

Abstract

Aim: Through literature review, to present a theoretical approach on the “body image” highlighting the “body shape concern” and the psychometric properties of the Body Shape Questionnaire (BSQ).

Method: Bibliographic survey of the studies published between 1987 and 2012 that were fully available in the Pubmed, Bireme and Scielo databases. The search and selection of the papers was made between January and March 2013.

Results: Initially, 95 papers were reviewed, however, only 40 papers and one book were included in this study. Some studies evaluated individuals’ body shape concern and subsequently reported that measured the body image concern, however, the body shape concern is just an aspect of body image. There are significant differences between genders regarding body concerns and these should be considered when choosing an instrument. There are several instruments to evaluate different aspects related to body image. The BSQ is the most used instrument to assess individuals’ body shape concern. The psychometric properties of BSQ are not consensual in the literature when applied to different samples. The need of further studies is suggested in an attempt to get a more stable factorial structure of the BSQ.

Conclusion: This study aimed to alert professionals to the importance of analyzing the theoretical concept related to the different aspects that compose the construct of body image, considering the individuals’ gender and the psychometric properties of the measuring instruments.

Keywords: body image, form perception, validation studies, questionnaires

Psychology, Community & Health, 2014, Vol. 3(2), doi:10.5964/pch.v3i2.89

Received: 2014-01-06. Accepted: 2014-04-22. Published (VoR): 2014-07-22.

Handling Editor: Sofia von Humboldt, Psychology & Health Research Unit (UIPES), ISPA - Instituto Universitário Lisbon, Portugal

*Corresponding author at: Departamento de Alimentos e Nutrição. Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Araraquara – UNESP – Universidade Estadual Paulista. Rodovia Araraquara-Jaú, km 01-CP 502 / 14801-902. Araraquara, São Paulo, Brasil. E-mail: jucampos@fcfar.unesp.br

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Introdução [TOP]

A imagem corporal é um constructo que agrega aspetos fisiológicos, afetivos e sociais, os quais são continuamente destruídos e restaurados de acordo com as experiências vividas pelos indivíduos. A definição original de “imagem corporal” foi realizada por Paul Schilderi (Campana & Tavares, 2009) definindo-a enquanto figura do corpo de uma pessoa que é formada na sua mente (Ogden, 2010). Segundo Thompson (2004) e Sarwer e Cash (2008), a perceção em relação à imagem corporal é um processo que se manifesta durante toda a vida, sofre constantes transformações e é vivenciada pelo ser humano de maneira individual e dinâmica. A imagem corporal era usualmente estudada no âmbito das perturbações alimentares; atualmente a pertinência da exploração deste constructo estende-se a outros campos que incluem odontologia, cirurgia, oncologia, sociologia, e nutrição (Cash & Pruzinsky, 2002).

A imagem corporal pode manifestar-se por meio de diversas vertentes, sendo a percetiva e a atitudinal as mais evidentes. A percetiva refere-se à imagem que o indivíduo tem em relação à sua aparência física; a atitudinal envolve emoções, crenças, comportamentos e o grau de satisfação geral subjetiva referente ao corpo (Campana & Tavares, 2009; Cash, Morrow, Hrabosky, & Perry, 2004; Ogden, 2010).

Esta premissa teórica e a associação entre estas vertentes têm sido utilizadas para explicar o constructo “imagem corporal” e para elaborar instrumentos de medida. Cada um desses instrumentos aborda aspetos distintos em relação à imagem corporal, como por exemplo, preocupação com a forma do corpo, preocupação com o peso corporal, dismorfia corporal, estima corporal, atitude frente à alimentação, entre outros. Assim, a escolha do instrumento a ser utilizado deve ter em conta identificação dos aspetos teóricos relacionados com o constructo a ser avaliado e com as características psicométricas dos instrumentos (Campana & Tavares, 2009; Campos & Maroco, 2012).

Entre os instrumentos mais utilizados para auxiliar na avaliação da imagem corporal podemos citar o Body Shape Questionnaire (BSQ; Cooper, Taylor, Cooper, & Fairburn, 1987) e o Male Body Checking Questionnaire (MBCQ; Hildebrandt, Walker, Alfano, Delinsky, & Bannon, 2010) propostos para a população feminina e masculina, respetivamente. Embora estes instrumentos estimem apenas a preocupação que um indivíduo tem em relação à sua forma física, equivocadamente alguns autores (Bosi, Luiz, Morgado, Costa, & Carvalho, 2006; Bosi, Luiz, Uchimura, & de Oliveira, 2008; Conti, Cordás, & Latorre, 2009; Silva, Silva, de Oliveira, & Nemer, 2012) utilizam-nos e afirmam que os mesmos avaliam a imagem corporal. Contudo, Baranowksi, Jorga, Djordjevic, Marinkovic e Hetherington (2003), e Najam e Ashfaq (2012) alertam que esses instrumentos avaliam somente parte desse constructo.

Alguns estudos (Al Sabbah et al., 2009; Striegel-Moore et al., 2009) estimam que 25 a 80% dos indivíduos estão insatisfeitos com a aparência física e essa insatisfação é atribuída fortemente às pressões socioculturais. A procura pelo corpo ideal é distinta entre os sexos. As mulheres, geralmente, manifestam inquietações relacionadas com redução da forma e do peso corporal, enquanto os homens se preocupam ao aumento da forma corporal por meio da massa muscular. Estas peculiaridades devem ser consideradas quando se efectua a avaliação do constructo em cada sexo (Fisher, Dunn, & Thompson, 2002; Sepulveda, Carrobles, & Gandarilhas, 2008).

As mulheres jovens são consideradas o grupo mais vulnerável ao desenvolvimento de distúrbios referentes à imagem corporal, mas os homens também podem ser acometidos (Sepulveda, Carrobles, & Gandarilhas, 2008). Os jovens, principalmente nas fases da adolescência e início da vida adulta, parecem ser mais suscetíveis a desenvolver distúrbios relacionados com a imagem corporal, pois são mais vulneráveis às questões culturais e estéticas. O ambiente universitário também é um aspeto bastante estudado, pois acredita-se que este promova mudanças de paradigmas sociais repentinos, elevada tensão e ansiedade, podendo contribuir para o desenvolvimento de distúrbios relacionados com a aparência física e o comportamento alimentar (Costa & Vasconcelos, 2010; Laus, Moreira, & Costa, 2009; Sepulveda, Carrobles, & Gandarilhas, 2008).

Além de observar as peculiaridades da população a ser avaliada, outro ponto essencial antes do início de qualquer estudo nesta área é verificar as propriedades psicométricas do instrumento de medida a ser utilizado. A utilização de instrumentos válidos e confiáveis é um critério indispensável para garantir a qualidade dos resultados obtidos (Campos & Maroco, 2012).

Devido à falta de consenso entre os estudos publicados na área, destaca-se a necessidade de consolidar a multidimensionalidade do constructo “imagem corporal” destacando as suas vertentes como aspetos isolados que contribuem para o entendimento da mesma. Ainda, se ressalta a contribuição deste estudo ao descrever as inquietações distintas de cada sexo quanto à perceção da imagem corporal e também a necessidade da utilização de instrumentos específicos, válidos e confiáveis aquando da sua avaliação. Dessa forma, este estudo de revisão foi conduzido com o objetivo de apresentar a abordagem teórica presente na literatura sobre o constructo “imagem corporal”, destacando a vertente “preocupação com a forma do corpo” através da descrição das diferenças entre os sexos e as propriedades psicométricas do BSQ, que é o instrumento mais utilizado para avaliação desse aspeto.

Método [TOP]

Este estudo consiste numa revisão de literatura. A pesquisa foi realizada nas bases de dados Bireme, Pubmed e Scielo entre os meses de Janeiro e Março de 2013. Como critério de inclusão foram considerados somente estudos realizados no período de 1987 a 2012 que estivessem disponíveis na íntegra (texto completo), e nas línguas inglesa, espanhola e portuguesa. Como critério de exclusão atendeu-se às características da amostra, de modo que os estudos que utilizaram amostras somente com indivíduos idosos (> 65 anos), população clínica (pacientes diagnosticados com algum transtorno alimentar), ou crianças (< 10 anos), não foram selecionados. Os descritores utilizados foram “body contour”, “adolescents”, “validity”, “body image”, “body shape questionnaire”, “self-perception”, “body satisfaction”, “psychopathology”, “body image assessment”, “body image disturbance”, “validation studies”, “scales”, “female college”, “body dissatisfaction”, “eating disorders”, “male body checking questionnaire”, “muscle dysmorphia”, “gender differences”, “muscularity”, “college students”, “binge eating” e “concern about body shape” nas línguas inglesa, espanhola e portuguesa. A pesquisa considerou a presença de um ou mais descritores no resumo e/ou título do artigo. Outra estratégia utilizada para o levantamento bibliográfico foi a procura pelo nome de autores consagrados na área de pesquisa de imagem corporal como “Cash, T.F.” e “Evans, C.”.

Incialmente foram revistos 95 trabalhos publicados. Após análise dos estudos foram selecionados 40 artigos para a construção do presente estudo, os quais estão citados como referências bibliográficas desse estudo. A caracterização dos estudos pode ser observada na Tabela 1. Além dos artigos publicados, optou-se por incluir nessa revisão o livro “Avaliação da Imagem Corporal – Instrumentos e Diretrizes Para Pesquisa” devido à sua abrangência e cuidado na exposição dos aspetos relacionados com a imagem corporal.

Tabela 1

Produção Incluída no Estudo de Revisão Segundo Autor, Ano de Publicação, País, Tipo de Pesquisa, Objetivo e Participantes do Estudo no Período de 1987 a 2012

Autor Ano País Tipo de Pesquisa Objetivo Sujeitos (número de participantes; média de idade±desvio padrão)
Cooper, Taylor, Cooper, & Fairburn 1987 Estados Unidos Transversal Avaliar o nível de preocupação que um indivíduo possui em relação a sua forma corporal Mulheres da comunidade portadoras de bulimia nervosa (n = 38; 22,2±4,1 anos) e saudáveis (n = 583; 21,7±3,5 anos)
Evans & Dolan 1993 Inglaterra Transversal Propor e avaliar as versões reduzidas do Body Shape Questionnaire (BSQ) Mulheres saudáveis da comunidade (n = 342; 27,1±8,5 anos)
Killen et al. 1994 Estados Unidos Transversal Examinar o nível de preocupação com o peso e outras variáveis prospetivamente associadas à idade de início de sintomas do transtorno alimentar, ao longo de um intervalo de 3 anos Estudantes adolescentes do sexo feminino (n = 939; 12,4±0,7 anos)
Raich, Mora, Soler, Avila, Clos, & Zapater 1996 Espanha Transversal Apresentar as características psicométricas do Body Shape Questionnaire (BSQ) em cinco estudos realizados em estudantes universitários e pacientes com transtornos alimentares
  • Estudo 1: Universitárias (n = 153; 23,7±4,7 anos)

  • Estudo 2: Universitários de ambos os sexos (n = 248; 23,5±3,9 anos)

  • Estudo 3: Universitários de ambos os sexos (n = 94; 23,4±3,6 anos)

  • Estudo 4: Universitárias portadores de transtornos alimentares (n = 45; 22,0±7,1 anos)

  • Estudo 5: Universitárias portadores de transtornos alimentares (n = 18; 23,4±3,6 anos)

Thompson, Coovert, & Stormer 1999 Estados Unidos Transversal Avaliar o papel dos processos de comparação social, com base na aparência física como uma possível ligação entre fatores de desenvolvimento e os níveis de insatisfação corporal, disfunções relacionadas com a alimentação e o funcionamento psicológico global Estudantes do sexo feminino de 18 a 30 anos (n = 173)
McCreary & Sasse 2000 Canadá Transversal Estimar a validade e a fiabilidade do Drive for Muscularity (DMS) em ambos os sexos Estudantes adolescentes de ambos os sexos de 16 a 24 anos (n = 197)
Pope et al. 2000 Áustria, França e Estados Unidos Transversal Avaliar a perceção de imagem corporal na população masculina de três países distintos Universitários do sexo masculino da Áustria (n = 54; 24,0±2,7 anos), França (n = 65; 21,9±2,5 anos) dos Estados Unidos (n = 81; 20,9±1,9 anos)
Dowson & Henderson 2001 Inglaterra Transversal Estimar a validade de constructo de uma versão de 14 itens do Body Shape Questionnaire (BSQ) Mulheres pacientes com anorexia nervosa (n = 75; 17,2±6,2 anos).
Banfield & McCabe 2002 Austrália Transversal Avaliar em dois estudos a eficácia de um modelo multidimensional da imagem corporal, que incorporou as dimensões de percepção, afeto, cognição e comportamento
  • Estudo 1: Universitários de ambos os sexos (n = 20; ...)

  • Estudo 2: Universitárias (n = 175; 21,3±6,0 anos)

Cash, Fleming, Alindogan, Steadman, & Whitehead 2002 Estados Unidos Transversal Estimar as características psicométricas da escala Body Image States Scale (BISS) Universitários de ambos os sexos entre 17 e 58 anos (n = 174)
Baranowksi, Jorga, Djordjevic, Jelena, & Hetherington 2003 Escócia e Jugoslávia Transversal Comparar a satisfação com o corpo e as disfunções relacionadas com a alimentação em adolescentes de ambos os sexos de escolas urbanas da Escócia e da Jugoslávia Estudantes adolescentes de ambos os sexos (n = 625; 13,0±0,2 anos)
Cash, Morrow, Hrabosky, & Perry 2004 Estados Unidos Transversal Examinar as mudanças em múltiplas facetas da imagem corporal em universitários no período de 1983 a 2001 Universitários de ambos os sexos (n = 3.127; 21,0±2,9 anos)
Ghaderi & Scott 2004 Suécia Transversal Estimar a fiabilidade e a validade da versão sueca do Body Shape Questionnaire (BSQ) completa, e da versão de 14 itens Mulheres saudáveis (n = 1.157; 23,7±3,7 anos), universitários de ambos os sexos (n = 124; 28,8±6,3 anos), e mulheres diagnosticadas com transtorno alimentar (n = 90; 28,5±9,6 anos)
Thompson 2004 Estados Unidos Artigo de Revisão Descrever dez pontos relacionados com a avalição da imagem corporal, e fornecer exemplos e sugestões para evitar erros aquando da estimação da mesma -
Rousseau, Knotter, Barbe, Raich, & Chabrol 2005 Espanha Transversal Estimar a validade da versão francesa do Body Shape Questionnaire (BSQ) Universitárias (n = 242; 20,7±2,2 anos)
Bosi, Luiz, Morgado, Costa, & Carvalho 2006 Brasil Transversal Identificar a autoperceção da imagem corporal entre estudantes universitários brasileiros Universitárias (n = 193; 20,9±2,0 anos)
Branco, Hilário, & Cintra 2006 Brasil Transversal Estimar a relação entre estado nutricional e satisfação com a imagem do corpo Estudantes adolescentes de ambos os sexos de 14 a 19 anos (n = 1.009)
Gleeson & Frith 2006 Inglaterra Artigo de Revisão Tecer cinco argumentos úteis, concentrando-se em pesquisa, que sustentem a concetualização da imagem corporal, e como estes pressupostos estreitam o foco da pesquisa -
Kakeshita & Almeida 2006 Brasil Transversal Explorar a relação entre o estado nutricional e perceção da autoimagem corporal Universitários de ambos os sexos de 18 a 55 anos (n = 106)
Alcaraz, Caballero, Rodríguez, & Ayensa 2007 México Transversal Estimar a fiabilidade e validade da versão espanhola adaptada para o México do Body Shape Questionnaire (BSQ) Estudantes adolescentes de ambos os sexos (n = 383; 16,2±0,8 anos)
Bosi, Luiz, Uchimura, & Oliveira 2008 Brasil Transversal Caracterizar práticas alimentares e possíveis fatores de risco associados a alterações do comportamento alimentar entre universitários brasileiros Universitárias (n = 197; 21,7±3,5 anos)
Sarwer & Cash 2008 Estados Unidos Artigo de Revisão Informar brevemente o leitor sobre a relação crescente entre a estética e a perceção de imagem corporal -
Sepulveda, Carrobles, & Gandarilhas 2008 Espanha Transversal Avaliar o risco de desenvolver uma alteração alimentar e a prevalência de atitudes/comportamentos alimentares pouco saudáveis ​​em universitários, segundo o tipo de escola, sexo e ano do curso Universitários de ambos os sexos (n = 2.551; 20,4±1,6 anos)
Warren et al. 2008 Espanha e Estados Unidos Transversal Avaliar as propriedades psicométricas das versões completa e reduzidas (16 itens, 14 itens e 8 itens) do BSQ
  • Mulheres saudáveis euro-americanas (n = 505; 19,3±1,9 anos), hispano-americanas (n = 151; 19,6±1,9 anos) e espanholas (n = 445; 20,8±3,4 anos)

  • Mulheres espanholas em tratamento de transtorno alimentar (n = 177; 20,4±5,1 anos).

Conti, Cordás, & Latorre 2009 Brasil Transversal Avaliar a validade e fiabilidade do Body Shape Questionnaire (BSQ) quando aplicado a adolescentes de ambos os sexos Estudantes adolescentes de ambos os sexos (n = 3 86; 13,8±2,1 anos)
Di Pietro & Silveira 2009 Brasil Transversal Adaptar o Body Shape Questionnaire (BSQ) para uso na população brasileira em amostra não clínica Universitários de ambos os sexos (n = 164; 19,6±1,5 anos)
Laus, Costa, & Almeida 2009 Brasil Transversal Comparar dois instrumentos (Body Shape Questionnaire e Escala de Silhuetas) indicados para avaliar possíveis alterações relacionadas com a imagem corporal em estudantes de ambos os sexos Estudantes adolescentes de ambos os sexos (n = 118; 16,5±1,2 anos)
Moreno, Montaño, Prieto, & Pérez-Acosta 2007 Colombia Transversal Estimar a validade e a fiabilidade do Body Shape Questionnaire (BSQ) numa amostra colombiana Estudantes adolescentes do sexo feminino (n = 1.939; 14,0±1,8 anos)
Striegel-Moore et al. 2009 Estados Unidos Transversal Examinar a diferença entre os sexos quanto à prevalência de sintomas de desordem alimentar, incluindo preocupação com a imagem corporal e comportamentos inadequados quanto à alimentação Membros da comunidade de ambos os sexos (n = 5.522; 27,5±5,5 anos)
Costa & Vasconcelos 2010 Brasil Transversal Estimar a prevalência de insatisfação com a imagem corporal associada a fatores socioeconómicos, comportamentais e dietéticos de universitárias brasileiras Universitárias (n = 220; 20,2±2,7 anos)
Gardner & Brown 2010 Estados Unidos Artigo de Revisão Rever na literatura as diferentes escalas de figuras e silhuetas para adultos e crianças, descrevendo as suas características psicométricas -
Hildebrandt, Walker, Alfano, Delinsky, & Bannon 2010 Estados Unidos Transversal Descrever o desenvolvimento e validação do Male Body Checking Questionnaire (MBCQ)
  • Estudo 1: Universitários de ambos os sexos (n = 342; 19,7±2,8 anos)

  • Estudo 2: Universitários do sexo masculino (n = 549; 18,9±1,5 anos)

  • Estudo 3: Universitários do sexo masculino (n = 27; 18,3±0,6 anos)

Rosalía et al. 2011 México Transversal Estimar a validade do Body Shape Questionnaire (BSQ) quando aplicado a mulheres mexicanas Estudantes (básico e superior) do sexo feminino saudáveis (n = 256; 15,9±3,2 anos) e portadoras de algum transtorno alimentar (n = 216; 20,5±3,9 anos)
Campos & Maroco 2012 Portugal e Brasil Transversal Realizar a adaptação transcultural da versão em português do Inventário de Burnout de Maslach para estudantes (MBI-SS) e investigar sua validade, fiabilidade e invariância transcultural Universitários de ambos os sexos brasileiros (n = 958; 23,1±5,1 anos) e portugueses (n = 556; 23,8±7,6 anos)
McFarland & Petrie 2012 Estados Unidos Transversal Desenvolver e testar uma nova medida capaz de captar a satisfação com o próprio corpo da população masculina
  • Estudo 1: Universitários do sexo masculino (n = 189; 20,3±2,2 anos)

  • Estudo 2: Universitários do sexo masculino (n = 188; 20,3±2,2 anos)

Miranda, Filgueiras, Neves, Teixeira, & Ferreira 2012 Brasil Transversal Verificar a prevalência de insatisfação com o corpo em universitários, de diferentes áreas do conhecimento, e a relação com o sexo e o estado nutricional Universitários de ambos os sexos (n = 535; 20,8±3,0 anos)
Najam & Ashfaq 2012 Paquistão Transversal Investigar a relação entre aptidão física e satisfação com a forma corporal em jovens paquistaneses Indivíduos saudáveis de ambos os sexos frequentadores de centros de emagrecimento entre 18 e 32 anos (n = 69)
Pimenta, Leal, Maroco, & Rosa 2012 Portugal Transversal Estimar a validade e a fiabilidade da versão em português (Portugal) do Body Shape Questionnaire (BSQ) quando aplicado a mulheres de meia idade Mulheres da comunidade (n = 1.003; 50±5,2 anos)
Silva, Silva, de Oliveira, & Nemer 2012 Brasil Transversal Avaliar a relação entre a alteração do comportamento alimentar, associada à insatisfação com a imagem corporal e o estado nutricional de universitárias brasileiras Universitárias (n = 175; 21,5±1,9 anos)
Akdemir, Inandi, Akbas, Kahilogullari, Eren, & Canpolat 2012 Turquia Transversal Avaliar a validade e a fiabilidade da versão turca do Body Shape Questionnaire (BSQ) quando aplicado a uma população jovem Estudantes adolescentes do sexo feminino (n = 665; 15,1±0,6 anos)

Resultados [TOP]

Abordagem Teórica da “Imagem Corporal” [TOP]

A imagem corporal é um constructo complexo que envolve a perceção e a atitude referente ao corpo. A perceção é dada a partir da imaginação e interpretação que o indivíduo faz acerca do tamanho e da dimensão de seu corpo. A atitude manifesta-se por meio de aspetos afetivos (sentimentos em relação à aparência do corpo), cognitivos (relação dos pensamentos e crenças quanto à forma e aparência do corpo), comportamentais (ações para mudar o corpo) e pelo grau de satisfação geral subjetiva (satisfação/insatisfação com a aparência física) (Campana & Tavares, 2009; Gleeson & Frith, 2006; Sarwer & Cash, 2008).

Cash et al. (2004) definem igualmente a imagem corporal como sendo um constructo que agrega autoperceções e atitudes em relação à aparência física. Sublinham ainda que as atitudes geradas podem espelhar uma apreciação global do corpo ou apenas uma parte do mesmo, e que esta dimensão das atitudes assenta numa avaliação (satisfação e emoções suscitadas pelo corpo do próprio) e num investimento (por exemplo, a importância dada à aparência) (Cash, Fleming, Alindogan, Steadman, & Whitehead, 2002).

Thompson, Coovert e Stormer (1999) relataram que o termo “imagem corporal” seria uma maneira de padronizar os diferentes elementos que integram esse constructo e, portanto, deve ser tratado como um ponto central. Os diferentes aspetos, quando avaliados isoladamente, estimam apenas parte da perceção referente à imagem corporal de um indivíduo.

Segundo Banfield e McCabe (2002), a avaliação da imagem corporal é um fenómeno complexo devido à impossibilidade de estimar o constructo de forma completa, e devido à falta de consenso dos estudos quanto aos aspetos teóricos a serem abordados para a sua compreensão. Assim, na literatura, as abordagens sobre a imagem corporal não são homogéneas sendo que, por vezes, cada aspeto teórico é considerado isoladamente como parte da imagem corporal (Akdemir et al., 2012; Baranowksi et al., 2003; Kakeshita & Almeida, 2006; Najam & Ashfaq, 2012). Outras vezes, esses componentes são tratados, equivocadamente, como sinónimo de imagem corporal (Costa & Vasconcelos, 2010; Miranda, Filgueiras, Neves, Teixeira, & Ferreira, 2012). Thompson (2004) e Ghaderi e Scott (2004) relataram a existência de inúmeras pesquisas que avaliam de maneira equivocada os diferentes aspetos da imagem corporal e o núcleo psicopatológico ligado a ela. Campana e Tavares (2009) citam que para se conduzir uma pesquisa sobre imagem corporal é necessário verificar o aspeto que será investigado para então determinar a população de estudo e escolher o instrumento a ser utilizado.

Na literatura encontra-se disponível uma grande variedade de instrumentos que se propõem avaliar aspetos relacionados com a imagem corporal. A preocupação com a forma corporal é comumente investigada na literatura (Akdemir et al., 2012; Cooper, Taylor, Cooper, & Fairburn, 1987; Ghaderi & Scott, 2004) e o Body Shape Questionnaire (BSQ) é o instrumento mais utilizado para a sua avaliação.

O BSQ é uma escala de autopreenchimento composta por 34 itens com respostas do tipo Likert de seis pontos que avalia as preocupações e a satisfação dos indivíduos com a forma do seu corpo. O constructo central desta escala é a preocupação com a forma do corpo que está direcionado, principalmente para a componente de insatisfação geral subjetiva, mas também para as componentes afetiva, cognitiva e comportamental sustentadas teoricamente pela proposta atitudinal da imagem corporal. O instrumento pode ser utilizado em contextos clínicos e não clínicos, e é indicado para investigação em populações femininas (Di Pietro & Silveira, 2009; Evans & Dolan, 1993).

Diversos estudos (Bosi et al., 2006; Bosi et al., 2008; Conti, Cordás, & Latorre, 2009; Costa & Vasconcelos, 2010; Di Pietro & Silveira, 2009; Miranda, Filgueiras, Neves, Teixeira, & Ferreira, 2012; Silva, Silva, de Oliveira, & Nemer, 2012) administraram o BSQ em populações distintas a fim de se avaliar a perceção ou até mesmo a distorção do conceito de imagem corporal. Porém, é importante esclarecer que esses estudos aferiram apenas parte deste constructo que se refere à preocupação com a forma do corpo. Em contrapartida, outros estudos (Akdemir et al., 2012; Ghaderi & Scott, 2004; Kakeshita & Almeida, 2006; Najam & Ashfaq, 2012) apresentaram os seus resultados de forma a considerar adequadamente a preocupação com a forma do corpo como parte da investigação da imagem corporal. Assim, vários estudos, na área da imagem corporal, não especificam qual o aspeto que estão a avaliar desse construto, o que pode resultar em interpretações equivocadas.

Considerando, portanto, o conceito teórico de imagem corporal, deve-se alertar os investigadores que pesquisam a imagem corporal que na condução de um estudo sobre o construto é necessário avaliar cuidadosamente o aspeto que se deseja investigar e a população-alvo, para depois escolher o instrumento de medida mais adequado. Apenas a partir desse cuidado será possível recolher e apresentar os dados com validade e fiabilidade, e que representem os pressupostos teóricos a serem abordados.

Diferença Entre os Sexos na Investigação da Imagem Corporal [TOP]

Thompson (2004) e Gardner e Brown (2010) destacam que o sexo é uma variável essencial a considerar na investigação da imagem corporal. Incontestavelmente, mulheres e homens mostram preocupações relacionadas com a imagem corporal. Contudo estas manifestam-se de formas distintas entre os sexos, tanto no que se refere aos aspetos observados quanto à prevalência dessas preocupações.

Branco et al. (2006), e Conti et al. (2009) destacam que as mulheres jovens, principalmente nas fases da adolescência e início da vida adulta, por serem mais vulneráveis às questões culturais e estéticas, apresentam maiores alterações relacionadas com a imagem corporal. As mulheres preocupam-se essencialmente com questões relacionadas com o peso corporal, o que as levam a adotar comportamentos direcionados para a restrição alimentar e o emagrecimento (Najam & Ashfaq, 2012; Sepulveda, Carrobles, & Gandarilhas, 2008).

Por outro lado, os homens manifestam preocupações referentes ao corpo relacionadas com a procura do aumento da massa muscular (Hildebrandt et al., 2010; Pope et al., 2000), virilidade e diminuição da calvície (McCreary & Sasse, 2000). Outro aspeto díspar entre os sexos é a prevalência de preocupação com a forma do corpo que geralmente é maior entre as mulheres jovens (Branco et al., 2006; Conti, Cordás, & Latorre, 2009; Kakeshita & Almeida, 2006; Najam & Ashfaq, 2012; Sepulveda, Carrobles, & Gandarilhas, 2008).

Branco et al. (2006) estudaram a relação entre estado nutricional e satisfação com a imagem do corpo em 1.009 adolescentes, estudantes do ensino fundamental e médio da cidade de São Paulo (Brasil) de ambos os sexos. Observaram uma associação significativa (p < 0,001) entre as variáveis, afirmando que as meninas eram mais insatisfeitas com o corpo do que os meninos.

Striegel-Moore et al. (2009) analisaram a prevalência de sintomas de transtornos alimentares e da preocupação com a imagem corporal entre os sexos. Participaram do estudo 5.522 indivíduos adultos (67% mulheres) membros de uma organização americana de manutenção da saúde. Foram coletadas informações sobre o peso e a altura. Para avaliar a compulsão alimentar e os comportamentos compensatórios foi utilizado o Patient Health Questionnaire (PHQ) e para avaliação da preocupação com a forma do corpo foi aplicado o Body Shape Questionnaire (BSQ). O estudo revelou uma diferença altamente significativa (p < 0,001) entre os sexos no que se refere à preocupação com a forma do corpo e à compulsão alimentar, apontando maior acometimento das mulheres.

Laus, Costa e de Almeida (2009) avaliaram a insatisfação com a forma do corpo de 118 estudantes adolescentes de escolas públicas, da cidade de Ribeirão Preto – SP, de ambos os sexos (52% homens). Os investigadores observaram que as meninas apresentaram maior insatisfação com a forma corporal (61%) quando comparadas com os meninos (14%), segundo os valores médios do BSQ.

Hildebrandt et al. (2010) desenvolveram e avaliaram as propriedades psicométricas de uma escala específica para avaliar a preocupação com o corpo da população masculina. Os itens que compuseram esta escala foram baseados na escala Body Checking Questionnaire (BCQ). O conjunto de itens adaptados para os homens recebeu o nome de Male Body Checking Questionnaire (MBCQ), cujas propriedades psicométricas foram avaliadas em três etapas, com amostras independentes de universitários de ambos os sexos. Num primeiro momento foi testada a estrutura fatorial do MBCQ em 342 estudantes de graduação de ambos os sexos (57% homens). O modelo apresentou cinco fatores que explicaram 66% da variância total (RMSEA = 0,082; IC90% = 0,062–0,102). Quando avaliados os sexos separadamente o grupo masculino (RMSEA = 0,039; IC90% = 0,023–0,055) apresentou melhor ajustamento com uma estrutura menos complexa (quatro fatores) explicando 64% da variância total. Num segundo momento, os investigadores conduziram a análise fatorial confirmatória numa amostra independente de 549 universitários do sexo masculino e obtiveram bons valores de ajustamento (CFI = 0,978; TFI = 0,953; SRMR = 0,011). A fiabilidade do instrumento foi analisada por meio de teste-reteste aplicado a 27 universitários do sexo masculino e os autores consideraram o instrumento confiável.

Deve-se atentar, porém, que alguns estudos (Branco et al., 2006; Kakeshita & Almeida, 2006; Laus, Costa, & de Almeida, 2009; Sepulveda, Carrobles, & Gandarilhas, 2008; Striegel-Moore et al., 2009) utilizaram instrumentos dirigidos à população feminina, como por exemplo, o BSQ, com o intuito de avaliar a imagem corporal em populações de ambos os sexos. Esse procedimento limita a interpretação dos resultados, uma vez que a insatisfação com o corpo se manifesta de maneira distinta entre homens e mulheres, e este instrumento aborda, na sua maioria, questões especificadamente relacionadas com a população feminina. Dessa forma, a utilização de instrumentos sem considerar as características amostrais poderá comprometer a validade e a fiabilidade das informações obtidas.

Assim, observando as peculiaridades de cada sexo perante as preocupações com a forma do corpo, torna-se imprescindível analisar cuidadosamente os instrumentos a serem utilizados, pois existem vários instrumentos e a escolha do mesmo deve ser sustentada na consideração dos aspetos necessários para avaliação em cada sexo (Hildebrandt et al., 2010; McCreary & Sasse, 2000). Somente desta forma será possível obter informações que propiciem discussões coerentes e conclusões plausíveis.

Muitos instrumentos foram elaborados para atender a amostras específicas, de acordo com o género. Instrumentos como o Body Shape Questionnaire (BSQ; Cooper, Taylor, Cooper, & Fairburn, 1987) e o Weight Concerns Scale (WCS; Killen et al., 1994) são direcionados especificamente para a população feminina enquanto o Male Body Checking Questionnaire (MBCQ; Hildebrandt et al., 2010) e o Body Parts Satisfaction Scale for Man (BPSS-M; McFarland & Petrie, 2012) são específicos para avaliar aspetos referentes ao corpo na população masculina.

Observa-se na literatura que existe uma grande quantidade de estudos (Akdemir et al., 2012; Bosi et al., 2006; Branco et al., 2006; Ghaderi & Scott, 2004; Kakeshita & Almeida, 2006) que se propõem avaliar aspetos relacionados com a imagem corporal em populações jovens e que o BSQ é amplamente utilizado nestes trabalhos. Estas pesquisas destacam que a população feminina jovem apresenta, em sua maioria, rígidas alterações em relação ao próprio corpo tornando-as um grupo de risco e vulnerável ao desenvolvimento de disfunções relacionadas com a perceção da imagem corporal. Outro aspeto que merece destaque é a utilização do BSQ em homens e mulheres, o que pode mascarar as verdadeiras preocupações de cada sexo.

Body Shape Questionnaire (BSQ): Estudos de Validação [TOP]

Considerando que a “preocupação com a forma do corpo” é uma variável latente, ou seja, que não pode ser medida diretamente, a avaliação das propriedades psicométricas dos instrumentos de medida torna-se uma estratégia indispensável (Campana & Tavares, 2009; Campos & Maroco, 2012). O Body Shape Questionnaire (BSQ) foi proposto originalmente na língua inglesa por Cooper et al. (1987), a sua versão em português do Brasil foi elaborada por Cordás e Castilho (1994), e posteriormente apresentada por Di Pietro e Silveira (2009).

A literatura não é consensual em relação à melhor estrutura fatorial do BSQ nem quanto à sua validade e fiabilidade em diferentes amostras, apontando para a ausência de estabilidade do instrumento quando aplicado a diferentes contextos. No Tabela 2 apresenta-se uma síntese dos trabalhos de validação do BSQ desenvolvidos na literatura.

Tabela 2

Estudos de Validação da Estrutura Fatorial do Body Shape Questionnaire (BSQ) Apresentados na Literatura.

Autor Ano Língua Objetivo Participantes Modelo Fatores / Itens Variância Explicada
Cooper, Taylor, Cooper, & Fairburn 1987 Inglês Desenvolver um instrumento para avaliar a preocupação com a forma do corpo em mulheres Mulheres da comunidade com (n = 48) e sem (n = 553) transtorno alimentar 1 fator Todos os 34 itens ...
Evans & Dolan 1993 Inglês Estimar a validade de formas reduzidas do BSQ Mulheres frequentadoras de uma clínica de planejamento familiar (n = 342) 1 fator 16 itens A: 1, 3, 5, 7, 8, 9, 10, 11, 15, 17, 20, 21, 22, 25, 28 e 34 ...
1 fator 16 itens B: 2, 4, 6, 12, 13, 14, 16, 18, 19, 23, 24, 27, 29, 30, 31 e 33 ...
1 fator 8 itens A: 1, 3, 7, 8, 9, 10, 17 e 34 ...
1 fator 8 itens B: 5, 11, 15, 20, 21, 22, 25 e 28 ...
1 fator 8 itens C: 4, 6, 13, 16, 19, 23, 29 e 33 ...
1 fator 8 itens D: 2, 12, 14, 18, 24, 27, 30 e 31 ...
Raich, Mora, Soler, Avila, Clos, & Zapater 1996 Espanhol Explorar a estrutura fatorial do BSQ em duas amostras diferentes Estudantes universitários do sexo feminino (n = 153) 5 fatores
  • F1: 6, 23, 17, 21, 2, 14 e 19

  • F2: 28, 30, 5 e 16

  • F3: 7, 18 e 13

  • F4: 3 e 10

  • F5: 26 e 32

69%
Estudantes universitários de ambos os sexos (n = 248) 1 fator 2, 15, 14, 9, 23, 19, 6, 10, 12, 29, 34, 17, 3, 4, 21, 20 e 25 48%
Dowson & Henderson 2001 Inglês Estimar a validade de constructo de uma versão de 14 itens do BSQ Mulheres diagnosticadas com anorexia nervosa (n = 75) 1 fator 2, 9, 12, 14, 17, 19, 20, 21, 23, 24, 25, 29, 33 e 34 ...
Ghaderi & Scott 2004 Sueco Estimar a fiabilidade e a validade da versão sueca do BSQ completa e a versão de 14 itens Mulheres normativas (n = 1.157) 2 fatores
  • F1: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 27, 28, 29, 30, 31, 33 e 34

  • F2: 26 e 32

52%
Universitários de ambos os sexos (n = 124) 2 fatores
  • F1: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 27, 28, 29, 30, 31, 33 e 34

  • F2: 26 e 32

72%
Mulheres normativas (n = 1.157) (versão 14 itens) 1 fator 2, 9, 12, 14, 17, 19, 20, 21, 23, 24, 25, 29, 33 e 34 67%
Universitários de ambos os sexos (n = 124) (versão 14 itens) 1 fator 2, 9, 12, 14, 17, 19, 20, 21, 23, 24, 25, 29, 33 e 34 67%
Rousseau, Knotter, Barbe, Raich, & Chabrol 2005 Francês Estimar a validade da versão francesa do BSQ Estudantes universitários do sexo feminino (n = 242) 4 fatores
  • F1: 7, 8 15, 18, 19, 20, 27 e 31

  • F2: 2, 3, 4, 5, 9, 10, 12, 14, 24, 25 e 28

  • F3: 11, 26 e 32

  • F4: 6, 21, 22, 23 e 34

55%
Moreno, Montaño, Prieto, & Pérez-Acosta 2007 Espanhol (Colómbia) Explorar a estrutura fatorial e a fiabilidade da versão colombiana do BSQ Estudantes do ensino médio do sexo feminino (n = 1.939) 2 fatores
  • F1: 1, 3, 7, 8, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 17, 18, 19, 20, 25, 26, 27, 29, 31 e 32

  • F2: 2, 4, 5, 6, 9, 16, 21, 22, 23, 24, 28, 30, 33 e 34

52%
Alcaraz, Caballero, Rodríguez, & Ayensa 2007 Espanhol (México) Explorar a estrutura fatorial e a fiabilidade da versão mexicana do BSQ Estudantes do ensino médio de ambos os sexos (n = 385) 3 fatores
  • F1: 7, 9, 10, 12, 13, 14, 15, 17, 18, 19, 20, 25, 29, 31 e 23

  • F2: 1, 2, 4, 5, 6, 21, 22, 24, 28 e 34

  • F3: 3, 8, 11, 16, 26, 27, 30, 32, 33

63%
Warren et al. 2008 Avaliar as propriedades psicométricas das versões completa e reduzidas do BSQ Mulheres normativas euro-americanas (n = 505), Hispano-americanas (n = 151) e Espanholas (n = 445) e mulheres Espanholas em tratamento de perturbação alimentar (n = 177) 1 fator 1, 7, 8, 11, 16, 14, 18, 19, 26, 28 ...
Di Pietro & Silveira 2009 Português (Brasil) Estimar a validade e a fiabilidade da versão em português do BSQ Estudantes universitários de ambos sexos (n = 164) 4 fatores
  • F1: 4, 2, 21, 17, 24, 28, 22, 23, 30, 14, 03, 06, 34, 16, 09, 05, 11, 10, 01, 33, 15 e 19

  • F2: 31, 20, 29, 12 e 25

  • F3: 32, 26, 07, 18 e 13

  • F4: 8 e 27

66%
Rosalía et al. 2011 Espanhol (México) Estimar a validade e a fiabilidade da versão mexicana do BSQ em mulheres mexicanas Mulheres entre 13 e 30 anos: Estudantes (n = 256); com desordens alimentares (n = 216)
  • F1: 2, 4, 5, 6, 9, 12, 17, 22, 24 e 34

  • F2: 7, 11, 13, 18, 19, 27, 15, 16, 32 e 26

63%
Akdemir et al. 2012 Turco Estimar a validade e a fiabilidade da versão turca do BSQ. Estudantes do ensino médio do sexo feminino (n = 665) 3 fatores ... 55%
Pimenta, Leal, Maroco, & Rosa 2012 Português (Portugal) Estimar a validade e a fiabilidade da versão em português (Portugal) do Body Shape Questionnaire (BSQ) quando aplicado a mulheres de meia idade Mulheres de meia idade (n = 1.003) 1 fator 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 27, 28, 29, 30, 31, 33 e 34 ...

A falta de consenso na literatura quanto à estrutura fatorial do BSQ retrata a necessidade de mais estudos que abordem estratégias metodológicas sólidas aquando da condução de estudos de validação de instrumentos de medida. Observa-se que a maioria dos estudos que se propuseram a validar o BSQ conduziram análise fatorial exploratória, o que resulta em diferentes estruturas fatoriais do instrumento. Entende-se que essa técnica, comumente utilizada na literatura, deve ser adotada quando o instrumento não apresenta, a priori, concetualização sólida, o que não é o caso do BSQ (Maroco, 2010).

Apesar da maioria dos estudos apontarem para adequada validade e fiabilidade do BSQ, existem limitações quanto às análises realizadas em diversos estudos, sendo necessário considerá-los com cautela. Assim, destaca-se a necessidade de mais estudos que se proponham a investigar as características psicométricas do BSQ utilizando a estratégia de análise confirmatória e procurando preservar a estruturação teórica já estabelecida.

Discussão [TOP]

Diante do exposto, pode-se notar que a imagem corporal é um constructo complexo que pode ser avaliado por meio de muitas vertentes. A escolha dessas vertentes deve estar diretamente relacionada com o objetivo da pesquisa/avaliação, a amostra de estudo e a construção teórica que se deseja realizar.

Assim, muitos instrumentos de medida estão disponíveis na literatura. Uma das variáveis importantes que deve ser levada em consideração antes da escolha do instrumento é o sexo. Alguns instrumentos são elaborados para avaliar características relacionadas com o corpo e anseios da população feminina, enquanto outros são direcionados para a população masculina. A avaliação deste constructo de forma adequada, e.x. levando em conta as diferenças existentes entre sexos, é crucial, considerando que a imagem corporal negativa está associada a perturbações psicológicas, tais como alterações sexuais, de humor e comportamento alimentar, além de ansiedade (Cash et al., 2004).

Uma das vertentes da imagem corporal mais estudada na literatura é a preocupação com a forma do corpo e o instrumento mais utilizado é o Body Shape Questionnaire (BSQ). Este instrumento foi proposto para utilização na população feminina. Estudos de validação têm sido conduzidos em amostras com características e nacionalidades distintas, e observa-se que estes não são consensuais quanto à estrutura fatorial do BSQ. Assim, sugere-se a continuidade da realização de estudos na tentativa de se obter uma estrutura fatorial mais estável, se não entre contextos demográficos e clínicos distintos, pelo menos aquando da utilização de amostras semelhantes num mesmo contexto cultural.

Dessa forma, destaca-se a contribuição deste estudo ao explorar a necessidade de investigar aspetos relacionados com a perceção de imagem corporal, como a avaliação cuidadosa das características da amostra de estudo, bem como a necessidade de estimar a validade e a fiabilidade do instrumento de medida utilizado. Somente assim serão obtidos dados de qualidade que representem os pressupostos teóricos de interesse.

Este estudo apresenta algumas limitações. A primeira refere-se à seleção dos artigos explorados, a qual manteve-se limitada aos artigos disponíveis no momento da pesquisa, na íntegra e gratuitos. A segunda foi a restrição da faixa etária dos participantes dos estudos (10-64 anos) e a exclusão dos trabalhos que abordaram somente indivíduos diagnosticados com alguma perturbação alimentar. Assim, estes aspetos podem ter delimitado o conteúdo abordado no presente estudo de revisão.

Notas [TOP]

i) Para conhecimento da obra original sugerimos a leitura de Schilder, P. (1950). The Image and Appearance of the Human Body: Studies in the Constructive Energies of the Psyche. New York, NY: International Universities Press.

Financiamento [TOP]

Financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP, Processos nº 2012/13475-4 e nº 2013/02678-4).

Conflito de Interesses [TOP]

Apesar de um dos autores ser editor da Psychology, Community & Health, foi preservada total independência do processo, conforme as normas da revista, para uma revisão científica anónima do manuscrito.

Agradecimentos [TOP]

Agradecemos a FAPESP pelo financiamento do estudo (Processos nº 2012/13475-4 e nº 2013/02678-4).

Referências [TOP]

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