Empirical Articles

Burnout em Cuidadores Formais de Idosos e Doentes Crónicos – Atualidades

Burnout in Formal Caregivers of Elderly and Chronically Ill – Current Affairs

Carla Susana Vicente*a, Rui Aragão Oliveirab

Resumo

Objetivo: O estudo visa explorar qual das dimensões associadas ao burnout apresenta maior relevância e a influência de fatores ambientais e relacionais no desenvolvimento desta síndrome.

Método: Utilizou-se uma metodologia mista. O estudo inclui uma amostra de conveniência com 15 participantes (93.3% do género feminino), selecionados de acordo com critérios de Burnout (n = 7) e índices elevados de Exaustão Emocional (n = 8). A média de idades situa-se entre os 41.6 (SD = 8.92) e 37.2 (SD = 11.54). O Inventário de Burnout de Maslach (MBI-HSS) foi aplicado para a avaliação quantitativa, e a entrevista semiestruturada para explorar indicações clínicas, problemas, aspetos satisfatórios e constrangimentos vividos no trabalho. As entrevistas foram transcritas, codificadas e analisadas através da análise de conteúdo (Bardin, 2011) por um júri de dois investigadores.

Resultados: A manifestação clínica do burnout mais frequentemente mencionada foi a exaustão emocional. Os fatores mais frequentemente reportados foram o lidar com a fragilidade do outro, impacto da morte, os conflitos interpessoais, o fraco suporte social, o investimento excessivo no trabalho e o não corresponder às expectativas. Os modelos teóricos que melhor se adequam à compreensão do burnout nesta amostra são os que enfatizam a dinâmica intrapessoal e relacional.

Conclusão: A exaustão emocional é a dimensão mais frequentemente referida pelos participantes para a ocorrência de fenómenos de burnout em profissionais que cuidam de população idosa na amostra estudada. No contexto em estudo, fatores como as relações interpessoais e as vivências/significado atribuído ao trabalho parecem ter maior influência no desenvolvimento do burnout, do que fatores organizacionais.

Palavras-Chave: síndrome de burnout, exaustão emocional, prestadores de cuidados, geriatria, doenças crónicas

Abstract

Aim: The study aims to explore which of the dimensions associated with burnout has greater relevance and the influence of environmental and relational factors in the development of this syndrome.

Method: The study has used a mixed methodology. A convenience sample, entailing 15 participants (93.3% female) was selected according burnout criteria (n = 7) and high levels of emotional exhaustion (n = 8). The average age is located between 41.6 (SD = 8.92) and 37.2 (SD = 11.54). The Maslach Burnout Inventory (MBI-HSS) was applied for quantitative assessment and semi-structured interview was used to explore clinical signs, problems, satisfying aspects and the constraints experienced in their work. The interviews were transcribed, coded and analysed by a jury of two researchers, according to content analysis (Bardin, 2011).

Results: The clinical manifestation of burnout most often reported was emotional exhaustion. The most commonly reported factors were dealing with the weakness of the other, the impact of death, interpersonal conflicts, poor social support, excessive investment in work and not meeting the expectations. Theoretical models that best suited to the understanding of burnout in this sample are ones emphasising the intrapersonal and relational dynamics.

Conclusion: Emotional exhaustion is the most frequently mentioned dimension to the occurrence of phenomena of burnout in professionals who care for elderly people in the study sample. In this context under study, factors such: interpersonal relationships and the experiences/meanings associated with the work, seems to have greater influence in the development of burnout, than organizational factors.

Keywords: burnout syndrome, emotional exhaustion, social workers, geriatric, chronic illness

Psychology, Community & Health, 2015, Vol. 4(3), doi:10.5964/pch.v4i3.79

Received: 2013-09-05. Accepted: 2014-10-31. Published (VoR): 2015-11-27.

Handling Editors: Maja Furlan de Brito, UIPES – Psychology & Health Research Unit, ISPA – Instituto Universitário, Lisbon, Portugal; Filipa Pimenta, William James Center for Research (WJCR), ISPA – Instituto Universitário, Lisbon, Portugal

*Corresponding author at: Alameda Dom Afonso Henriques nº 27, 1ºD 1900-198, Lisboa, Portugal. Phone: (+351) 91 7578563. E-mail: csvicent@gmail.com

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Introdução [TOP]

As profissões centradas no cliente, como os cuidadores formais, requerem um grau de envolvimento emocional que coloca tensão sobre os profissionais, não sendo invulgar o sentimento de estarem emocionalmente esgotados e até a existência de uma certa frustração com o trabalho que realizam (Evers, Tomic, & Brouwers, 2001, 2002; Ngai & Cheung, 2009). Assim, é relevante do ponto de vista social e individual estudar o burnout nos prestadores formais de cuidados, dado que a sua ação negativa faz-se sentir não só no próprio profissional, como em todos aqueles que contam com a sua intervenção (Cocco, 2010; Evers et al., 2001; Narumoto et al., 2008; Ng, Fong, & Wang, 2011).

O burnout, definido como uma experiência de stress individual desenvolvida no contexto das relações sociais complexas, associado ao trabalho, tem sido considerado como um fenómeno multidimensional composto por três dimensões: exaustão emocional, despersonalização e redução da realização pessoal (Maslach, Schaufeli, & Leiter, 2001). Por exaustão emocional entende-se um esgotamento dos recursos emocionais, morais e psicológicos da pessoa. A despersonalização representa um distanciamento afetivo ou indiferença emocional em relação aos outros, nomeadamente aos beneficiários do seu trabalho. A baixa realização pessoal exprime a diminuição dos sentimentos de competência e prazer associados ao desempenho da atividade profissional (Schaufeli, Leiter, & Maslach, 2009).

Para uma melhor compreensão do burnout têm sido propostos vários modelos, com o objetivo de clarificar como se processa a evolução desta síndrome.

Os modelos teóricos focados nas questões individuais centram as suas explicações na vulnerabilidade dos indivíduos e no sentido que o sujeito atribui ao seu trabalho (Schaufeli & Buunk, 2003). Portanto, estariam mais suscetíveis ao burnout, os profissionais orientados para os objetivos, e profissionais idealistas que apresentam elevadas expetativas em relação a si e à sua profissão. Assim, têm sido considerados como fatores catalisadores, a motivação com que os profissionais iniciam a sua atividade, a necessidade exagerada de ajudar os outros e expetativas irrealistas (El-Nady, 2012; Evers et al., 2002; Ng et al., 2011).

Nos modelos centrados nas relações interpessoais, enquanto Maslach (1982) atribui a principal causa do burnout às relações interpessoais emocionalmente exigentes dos prestadores de cuidados com os seus clientes, Buunk e Schaufeli (1993) expandem o modelo a todas as relações sociais existentes no local de trabalho, remetendo, assim, para a percepção da equidade entre o que o trabalhador investe e o que ele recebe nas suas relações no, e com o, trabalho (Maslach et al., 2001; Pitfield, Shahriyarmolki, & Livingston, 2011; Rose, Madurai, Thomas, Duffy, & Oyebode, 2010). Certos tipos de clientes, especialmente aqueles com problemas crónicos e complexos, em que o profissional se vê confrontado com a dor, agressividade, sofrimento e até a morte, são percepcionados como mais stressantes e menos desejáveis pelos trabalhadores (Acker, 2010; Cocco, Gatti, Lima, & Camus, 2003; Evers et al., 2002; Padyab, Richter, Nygren, & Ghazinour, 2013; Westermann, Kozak, Harling, & Nienhaus, 2014). Os conflitos com os familiares dos clientes também têm sido identificados como um dos fatores que contribui para a exaustão emocional e despersonalização (Fujiwara, Tsukishima, Tsutsumi, Kawakami, & Kishi, 2003). Por outro lado, a falta de comunicação com os colegas de trabalho, o fraco apoio social dos colegas e supervisores, e os conflitos interpessoais, estão igualmente associados ao burnout (Padyab et al., 2013; Westermann et al., 2014). Deste modo, colegas de trabalho competitivos, distantes ou excessivamente críticos, podem representar um importante catalisador para acontecimentos carregados de ansiedade e agravar situações de conflito (Trindade, Lautert, Beck, Amestoy, & Pires, 2010).

Por sua vez, a perspetiva organizacional coloca a ênfase nas condições em que o trabalho se desenvolve. Assim, incluem como antecedentes do burnout: as disfunções dos papéis, objetivos da instituição, burocracia, a inadequação de recursos e o clima organizacional (Cocco et al., 2003; Schaufeli & Buunk, 2003). Lloyd, King e Chenoweth (2002) referenciam outros fatores de risco entre as assistentes sociais, nomeadamente a pouca autonomia e dificuldades na prestação dos serviços aos utentes. Os conflitos de papéis, ambiguidade do papel, a fraca participação na tomada de decisão e a sobrecarga de trabalho, também foram consistentemente encontrados como fatores de risco de burnout entre os trabalhadores em lares e de cuidados de longa duração (Fujiwara et al., 2003; Ng et al., 2011).

A forma como se processa a evolução do burnout tem suscitado alguma controvérsia. Na ótica de Maslach e Jackson (1981) e de Buunk e Schaufeli (1993), a dimensão central do burnout seria a exaustão emocional, que contribuiria para a despersonalização, entendida como uma estratégia defensiva face à primeira e, consequentemente, para a baixa realização pessoal (Maslach et al., 2001). Por sua vez, para Golembiewski, Munzenrider e Stevenson (1986), na génese do burnout estaria a dimensão despersonalização, que decorre do desequilíbrio entre as necessidades da organização e os interesses do trabalhador, gerando uma diminuição da realização profissional, contribuindo para a exaustão emocional (Schaufeli & Buunk, 2003). Para Gil-Monte e Peiró (1997), a primeira das dimensões seria a baixa realização pessoal, seguida pela exaustão emocional, sendo a despersonalização uma estratégia adotada pelo indivíduo para fazer face às anteriores (Gil-Monte & Moreno-Jiménez, 2007).

Nos cuidadores formais de idosos e doentes crónicos, os estudos incidem, particularmente, nas categorias profissionais mais representativas, não abrangendo a vasta diversidade de profissionais que trabalham neste contexto. Assim, para uma melhor compreensão do fenómeno burnout, estabeleceram-se como objetivos:

  1. explorar qual das dimensões associadas ao burnout parece apresentar maior relevância;

  2. perceber a relevância dos fatores ambientais/organizacionais e relacionais para o desenvolvimento desta síndrome e da sua especificidade em relação ao grupo com critérios de burnout e ao grupo, apenas, com elevada exaustão emocional;

  3. avaliar qual dos modelos teóricos melhor se adequa para a compreensão do burnout no contexto em estudo.

Método [TOP]

Participantes [TOP]

Vicente, Oliveira e Maroco (2013) realizaram num primeiro momento um outro estudo onde foi utilizado o Inventário de Burnout de Maslach (MBI-HSS), que demonstrou boas qualidades psicométricas, num universo de 265 participantes. Propôs-se a 15 destes profissionais a realização de entrevistas. Optou-se, assim, por uma amostragem de variação máxima. Os critérios de seleção adotados foram 1) trabalhar diretamente com idosos e doentes crónicos, 2) a categoria profissional (assistentes sociais, ajudantes de ação direta, animadora sociocultural, fisioterapeuta, etc.), e 3) estar de acordo com os seguintes perfis: Grupo 1 (n = 7) preencher os critérios de burnout (elevada exaustão emocional e despersonalização, e baixa realização pessoal) e o Grupo 2 (n = 8), apresentar apenas com elevação na dimensão exaustão emocional. Considerou-se a frequência dos sintomas, acima de três “algumas vezes por mês”, para apurar as elevações na dimensão exaustão emocional e despersonalização e dois para a realização pessoal (cf. Vicente, Oliveira, & Maroco, 2014). A amostra foi na sua maioria constituída por mulheres (93.3%). No Grupo 1, a média de idades situa-se nos 41.6 (SD = 8.92), enquanto no Grupo 2, foi de 37.2 (SD = 11.54) (ver Tabela 1).

Tabela 1

Caracterização da Amostra

Variáveis Grupo 1 (n = 7) Grupo 2 (n = 8)
Género
Feminino 6 8
Masculino 1 -
Estado Civil
Solteiro (a)/Divorciado (a) 6 4
Casado (a) 1 4
Habilitações Literárias
1º Ciclo - 1
2º Ciclo 1 -
3º Ciclo 2 3
Secundária 2 1
Bacharelato 1 -
Licenciatura/Mestrado 1 3
Categoria Profissional
Ajudante Familiar 3 3
Auxiliar Ação Direta 1 1
Assistente Social 1 3
Fisioterapeuta 1 -
Animadora sociocultural 1 -
Responsável área Saúde - 1

Material [TOP]

Para a caracterização sociodemográfica (género, idade, habilitações literárias, categoria profissional, etc.) foi utilizado um questionário com questões fechadas.

A entrevista qualitativa, semiestruturada, apresentava questões abertas e fechadas, com particular incidência no contexto profissional, tendo sido estruturada de acordo com o referencial teórico acerca do burnout (Buunk & Schaufeli, 1993; Maslach et al., 2001; Schaufeli & Buunk, 2003; Schaufeli et al., 2009). O guião de entrevista foi organizado de modo a obter o máximo de informação acerca das suas experiências, tendo em consideração quatro áreas principais: indicações clínicas de burnout, indicação de problemas, aspetos satisfatórios e os constrangimentos vividos no trabalho (ver Tabela 2).

Tabela 2

Protocolo de Entrevista

Áreas Questões
Indicações clínicas do Burnout
  • Geralmente, como se sente no seu trabalho?

Indicação de problemas
  • Qual a principal dificuldade com que se depara no seu trabalho?

  • Em relação a quem é que enfrenta esse problema: utentes, colegas ou superiores?

Aspetos satisfatórios
  • Qual o aspeto mais satisfatório do seu trabalho?

  • Em relação a quem sente essa satisfação: utentes, colegas ou superiores?

Constrangimentos vividos no trabalho
  • Que aspetos do seu trabalho gostaria de evitar? Ou Quais são, para si, os maiores problemas que enfrenta na sua atividade profissional?

  • Como lida com essas situações? Ou O que faz para resolver essas situações?

Procedimento [TOP]

A primeira fase consistiu na aplicação do Inventário de Burnout de Maslach (HSS) a 265 participantes prestadores de cuidados formais a idosos e doentes crónicos (cf. Vicente et al., 2014). Esta etapa permitiu avaliar a existência de burnout e selecionar os participantes para a segunda etapa do estudo.

A segunda fase compreendeu o contato formal dos profissionais que manifestaram interesse em colaborar nesta segunda etapa. Foi explicitada a necessidade de se realizar uma entrevista direcionada para o contexto profissional e uma segunda entrevista clínica, que incidiria em fatores de natureza pessoal, a qual não será objeto de análise neste estudo. Foi entregue aos participantes o consentimento informado para além de uma autorização escrita para a gravação áudio das entrevistas. O anonimato e confidencialidade das respostas foram assegurados a todos os participantes.

As entrevistas áudio-gravadas tiveram uma duração entre 90 a 180 minutos. Todas as entrevistas foram conduzidas e gravadas pela mesma investigadora. A investigadora que conduziu as entrevistas possuía treino e experiência em entrevistas clínicas, tendo recorrido a técnicas semelhantes às utilizadas numa investigação passada (Vicente et al., 2012).

Após as entrevistas terem sido realizadas foram transcritas na íntegra e analisadas utilizando a análise de conteúdo proposta por Bardin (2011). Neste método, assente na análise indutiva, utilizou-se a técnica de codificação aberta. A análise de conteúdo foi realizada, tendo por base as seguintes fases: as transcrições foram lidas pelo menos duas vezes, de forma a inferir os seus significados globais e específicos e a respetiva estrutura. Os significados específicos de cada entrevista geraram códigos abertos (critério semântico). Foram identificados e etiquetados. Os códigos com temas semelhantes foram agrupados. Os temas foram reanalisados e revistos, de modo a serem etiquetados e reagrupados nas respetivas categorias temáticas. As categorias temáticas foram validadas através da releitura dos dados obtidos por meio das citações diretas dos participantes.

As entrevistas foram analisadas por dois investigadores, o principal (CV) e outro investigador independente (RA). Sempre que surgiram dúvidas no processo de codificação entre investigadores, voltou-se a ler as entrevistas na íntegra de modo a clarificar e tornar mais explícito o tema subjacente.

Resultados [TOP]

As duas principais categorias que emergiram foram: as “indicações clínicas do burnout”, que remetem para as manifestações e consequências decorrentes do sujeito evoluir ou estar em burnout; e os “fatores indutores de burnout”, que dizem respeito às causas que podem contribuir para o aparecimento desta síndrome. Destas duas categorias resultaram cinco temas e 23 subtemas específicos que se encontram expressos na Tabela 3.

Tabela 3

Categorias, Temas e Subtemas por Grupos

Categorias Temas Subtemas Grupo 1 (n = 7) Grupo 2 (n = 8)
Indicações clínicas de burnout Manifestação de burnout Exaustão Emocional e Física 7 7
Baixa realização pessoal 6 2
Despersonalização 4 1
Desejo de abandonar o trabalho 3 1
Fatores Indutores Características Organizacionais Excesso de Burocracia 2 5
Falta de Recursos Humanos 2 3
Conflito de funções 0 2
Baixa remuneração 3 0
Fraca participação na tomada de decisão 0 3
Características das funções Sobrecarga de trabalho 4 5
Excesso de responsabilidade 1 3
Horário de trabalho prolongado 2 1
Complexidade das funções 1 2
Relações Interpessoais – Com clientes e/ou cuidadores informais Impacto da Morte do Outro 4 6
Lidar com dependência/fragilidade do Outro 4 5
Lidar com familiares/cuidadores informais 3 4
Deterioração do quadro clínico 4 3
Relações Interpessoais – Com Colegas e Superiores Fraco Apoio Social 6 7
Falhas de comunicação 3 3
Conflitos interpessoais 5 8
Vivências/Significado atribuído ao trabalho Investimento excessivo no trabalho 2 6
Não corresponder às expectativas 5 7
Experiências significativas/Identificação 2 3

Indicações Clínicas do Burnout [TOP]

Manifestação do Burnout — A exaustão emocional e física remete para as manifestações psicossomáticas "...é um grande desgaste psicológico … quando chega à 4ª feira já estou estoirada..." (E3). Foi identificada em 14 dos participantes, que reportaram aspetos como: não se sentirem capazes de dar mais de si; sentirem desgaste psicológico, alteração na capacidade de memorização; cansaço físico; dores de cabeça e falta de paciência.

A baixa realização pessoal refere-se à desmotivação e aos sentimentos de diminuição de competência, assim como ao sentimento de frustração. Foi observável nas verbalizações de oito dos participantes, "... tenho dias em que me sinto desmotivada, sinto que faço isto por obrigação, não por gosto..." (E1), sendo mais evidente no grupo com critérios de burnout.

A despersonalização remete para uma atitude de distanciamento face aos utentes e outros intervenientes associados ao contexto, e uma certa insensibilidade face ao problema do outro. Em apenas cinco dos participantes, com maior evidência no grupo com critérios de burnout (n = 4), se observaram citações como, “(…) não, não quero saber se tem passado bem, se tem passado mal …” (E15).

O desejo de abandonar o trabalho “Às vezes não, só me apetecia sair, estou farta …” (E10), foi outro dos subtemas apreendidos. Somente quatro participantes manifestaram o desejo de mudar ou deixar a instituição onde trabalham.

Fatores Indutores [TOP]

Características Organizacionais — No que se refere à forma como a instituição se organiza, emergiram cinco subtemas.

O excesso de burocracia, “… com isto da qualidade ainda veio complicar mais porque ainda é mais papelada...” (E7), remete para a quantidade de procedimentos administrativos necessários à execução do seu trabalho. Foi assinalado principalmente pelo grupo com índices elevados de exaustão emocional (n = 5).

A falta de recursos humanos corresponde ao número insuficiente de colaboradores, “… a equipa nunca está completa …” (E3), ou à ausência de equipa técnica multidisciplinar. Foi observável em ambos os grupos.

O conflito de funções refere-se à indefinição das funções e responsabilidades exigidas aos colaboradores. As narrativas evidenciam que apenas duas pessoas do grupo com índices elevados de exaustão emocional assinalam este fator “…há situações que elas tratam que não passam por mim e depois vem-me questionar …” (E2).

A baixa remuneração é proferida pelos participantes com critérios de burnout, que referem,“…e claro o ordenado é muito pequeno, para a minha exigência é demasiado pequeno…” (E10), não correspondendo às responsabilidades e expectativas.

A fraca participação na tomada de decisões remete para o sentimento de não se sentirem envolvidos e atendidos nas suas opiniões acerca do funcionamento da instituição “… estive presente na entrevista (…) a direção que selecionou definiu as condições, o tipo de contrato, (…) nem sequer me informou …” (E7). Apenas os participantes com índices elevados de exaustão emocional proferem verbalizações que remetem para este subtema.

Características da Função — Nesta seção foram incluídos todos os subtemas que dizem respeito especificamente à função e aos constrangimentos decorrentes da mesma.

A sobrecarga de trabalho, “…a sensação que eu tenho é que um dia para mim, são três dias de trabalho, é a quantidade de assuntos que são tratados, a diversidade, …” (E15) foi verbalizada pelos participantes dos dois grupos, correspondendo à percepção da quantidade, diversidade e natureza de assuntos que carecem de resolver diariamente.

O excesso de responsabilidade apreende-se nas verbalizações dos participantes “… estarmos presentes e não esquecermos lá está, trabalhamos com a vida das pessoas…” (E12), com elevados índices de exaustão emocional (n = 3). Remete para o dar respostas a situações de risco, o sentimento de ser responsabilizado perante situações de insucesso e pela percepção de que certas decisões dependem de si.

O horário de trabalho prolongado foi citado em ambos os grupos “…não é justo estar a semana toda mais horas do que é o meu horário a fazer tudo e depois ainda levar para casa trabalho” (E7).

No que se refere à complexidade do trabalho, foi referenciada por três participantes, em particular no grupo com elevados índices de exaustão emocional, sendo que remetem para o desempenho de múltiplas funções “… quer dizer eu não posso fazer o trabalho de psicóloga e de assistente social, …” (E5), para as quais não se sentem preparados por não disporem de formação adequada para as desempenharem.

Relações Interpessoais Com Clientes e/ou Cuidadores Informais — O impacto da morte do outro, “ … tratava-se da pessoa que faleceu mas ficava aquele vazio … faltava ali qualquer coisa …” (E13), remete para a sensação de vazio, saudade ou sentimento de perda, e foi proferido em ambos os grupos (n = 6) sendo mais evidente no grupo com elevados índices de exaustão emocional.

O lidar com a fragilidade do outro, “… pela dor, pelo sofrimento da velhota ali, isso é que nos custava,…” (E8), remete para a dependência dos utentes, a vulnerabilidade do outro, assim como para o isolamento social evidenciado pelas pessoas a quem prestam assistência. Foi observável que nove dos participantes mencionam uma maior dificuldade em lidar com estes aspetos.

O lidar com os familiares/cuidadores informais foi evidenciado em ambos os grupos (n = 9), dado que consideram ter dificuldade em gerir a agressividade e acusações por parte dos familiares dos utentes “…houve, aí o caso do filho de uma utente, que me atacou forte e feio …” (E2), assim como a atitude de desresponsabilização destes cuidadores informais perante os seus familiares.

A deterioração do quadro clínico “… um doente em fase terminal também, (…) que deixou de respirar e começou a revirar os olhos, … paralisei …” (E14), foi igualmente assinalado pelos dois grupos. Este fator remete para a perda gradual de capacidades, perda de identidade que ocorre em alguns quadros clínicos (e.g. Demências), bem como um sentimento de incapacidade para reverter determinados quadros clínicos.

Relações Interpessoais com Colegas/Superiores — O fraco apoio social, “Acho que não temos, acho que trabalhamos todos para o mesmo, mas cada um faz por si (…)” (E11), entendido pelo fraco suporte por parte dos colegas e superiores hierárquicos, ausência de ajuda na resolução de problemas, a ausência de reciprocidade, o que contribui para a dificuldade em estabelecer vínculos com o outro. Este foi dos subtemas mais assinalados pelos participantes dos dois grupos

Outro fator, assinalado por seis dos participantes, prende-se com as falhas de comunicação, que remete para uma comunicação mais funcional centrada no trabalho e desprovida de afetos, entendida como uma comunicação agressiva, ausência de partilha de informação, perceção de não se sentir ouvido e na dificuldade em comunicar com os colegas e superiores hierárquicos “…em relação a mim, não temos linguagens em comum, eu falo ela não entende, ela fala eu não entendo…” (E4).

Os conflitos interpessoais, um dos subtemas evidenciados nos dois grupos por narrativas como “… não sabes fazer isto, ou porque não sabes fazer aquilo, ou porque fizeste isto ou fizeste aquilo …” (E1), acentuam a existência de um ambiente pouco contentor nas relações com os seus colegas e com os familiares dos utentes, a existência de rivalidade entre colegas, assim como as críticas constantes a que se sentem sujeitos.

Vivências/Significado Atribuído ao Trabalho — O investimento excessivo no trabalho, exposto pelos participantes com elevada exaustão emocional, foi aqui representado pela demonstração de um comprometimento excessivo com o trabalho, assim como a necessidade de sentir que fez tudo pela melhoria das condições do utente, e a existência de um sentimento de que a sua satisfação pessoal e a sua autoestima, é obtida por intermédio do trabalho “…a satisfação pessoal, a autoestima, a concretização revê-se muito pelo trabalho…” (E15).

O não corresponder às expetativas, suas e dos outros, foi observado nas narrativas dos participantes dos dois grupos “… tenho pena de não chegar mais longe, não poder estar mais presente …” (E1). Este subtema remete para a discrepância entre o trabalho idealizado e o realizado, pelas expetativas frustradas por o trabalho realizado pelo participante não corresponder à sua idealização, a impotência para solucionar o problema do outro e o participante sentir-se desajustado às necessidades da instituição.

No que concerne às experiências significativas ou à identificação com a história, outro dos subtemas, refere-se às vivências dos participantes com os utentes, que remetem para a história de vida dos participantes, suscitando um sentimento de impossibilidade de cuidarem dos seus familiares, à semelhança do muitas vezes reiterado pelos cuidadores informais ou noutros casos, remete para a vivência ou ausência da experiência de vida dos participantes com os seus pais e/ou avós “… eu gosto mesmo daquilo que faço, faz-me lembrar coisas que eu tinha com a minha avó” (E9).

Discussão [TOP]

Um dos objetivos desta investigação, consistiu em averiguar qual das dimensões associadas ao burnout parece apresentar maior relevância. No nosso estudo, a exaustão emocional apresenta-se como a dimensão central do burnout, a qual desencadearia sentimentos de desmotivação e frustração, contribuindo para a despersonalização. Embora estes resultados pareçam ir no sentido dos alvitrados por Maslach (1982), a exaustão emocional como dimensão central, eles diferem na forma como se processa a sua evolução, dado que a dimensão subsequente foi a realização pessoal, seguida da despersonalização (Maslach et al., 2001; Ngai & Cheung, 2009). Contudo, parece-nos fundamental ser cautelosos na interpretação dos resultados na dimensão de despersonalização, em virtude de se tratar de um contexto profissional centrado no cuidar do outro, em que há uma ideia próxima de vocação, o que poderá constituir uma certa ameaça psicológica para o indivíduo assumir a existência de sentimentos de distanciamento face às pessoas beneficiárias do seu trabalho.

Esta investigação propunha-se, ainda, perceber a influência dos fatores ambientais/organizacionais e relacionais, no aparecimento do burnout.

À semelhança dos estudos de Ng et al. (2011), Lloyd et al. (2002), os dados sugerem que fatores como o excesso de burocracia, excesso de responsabilidade, complexidade de funções e fraca participação na tomada de decisão, parecem influenciar o desenvolvimento de exaustão emocional e consequentemente de burnout. Porém, o impacto destes fatores parece ter repercussões apenas nas categorias profissionais que assumem funções de gestão e coordenação, como é o caso de assistentes sociais.

Segundo Acker (2010) e Padyab et al. (2013), o lidar com doenças crónicas e situações complexas é considerado pelos profissionais como um dos aspetos menos desejáveis do seu trabalho. Confrontar-se com situações de perda de capacidades e morte foi considerado, neste estudo, como indutor não só de exaustão emocional, mas também de burnout. Estes fatores foram evidenciados em todas as categorias profissionais, não sendo caraterísticos de nenhuma em particular, o que poderá justificar-se com um dos critérios de seleção da amostra que pressuponha o contato direto com idosos e doentes crónicos.

Fujiwara et al. (2003) consideram que os conflitos com os familiares dos clientes constituem um impulsionador da exaustão emocional. Sendo um contexto pautado pela proximidade entre profissionais e familiares dos clientes, verificou-se que o lidar com a agressividade e acusações dos familiares/cuidadores informais foi considerado como um dos fatores indutores de burnout. Não obstante, os conflitos interpessoais e o fraco apoio social dos colegas foram igualmente assinalados como fatores que parecem influenciar a propensão para a exaustão emocional e para o burnout.

As vivências/significado atribuído ao trabalho, também parecem exercer influência não só no aparecimento da exaustão emocional, como do burnout. Não será de descurar que nestas profissões, os profissionais consideram que com o trabalho que desenvolvem pode fazer a diferença no cuidar do outro (El-Nady, 2012; Evers et al., 2002; Ng et al., 2011).

Foi igualmente objetivo deste estudo explorar que modelo teórico melhor se adequa à compreensão do burnout. Em primeiro, consideramos que o burnout será melhor explicado pelos modelos assentes nas relações ou interações interpessoais. A importância das relações interpessoais não se cinge apenas aos utentes e familiares/cuidadores informais, mas também aos outros intervenientes institucionais, como os colegas e superiores hierárquicos. A ausência de reciprocidade e uma comunicação mais funcional e desprovida de afetos entre colegas/superiores contribuem para um estado não só de exaustão emocional, mas também de burnout (Padyab et al., 2013; Westermann et al., 2014).

Porém, atendendo a se tratar de um contexto centrado no cuidar do outro, os nossos resultados também confirmam a importância do sentido que é atribuído ao trabalho pelos profissionais, dado estar subjacente um envolvimento excessivo com o trabalho. Existe igualmente uma discrepância entre o que o profissional perceciona que investe e o que recebe nas suas relações e, com o seu trabalho, o que conduz a um sentimento de não corresponder às suas expectativas, confrontando-se, deste modo, os participantes com a impossibilidade de dar as respostas mais adequadas às situações das pessoas beneficiárias do seu trabalho.

As limitações apresentadas por esta investigação consistem na realização de duas entrevistas, uma centrada no contexto laboral e, outra clínica que incidiu fundamentalmente nos fatores de natureza pessoal, podendo ter contribuído para uma certa dispersão na exploração do contexto profissional. No entanto, foram efetuadas em semanas diferentes, permitindo uma análise prévia, de forma a clarificar e aprofundar as temáticas.

O facto de não se ter utilizado o critério de saturação teórica, para o término de inclusão de casos poderá ser considerado uma limitação. No entanto, assegurou-se a fidelidade dos resultados através da análise das entrevistas por outro investigador, tendo-se observado um elevado grau de concordância. Embora não se tenha procedido à confirmação da interpretação dos dados junto dos participantes, o que comprometeria a validade do estudo, procedeu-se à triangulação de métodos, o que possibilitou alcançar resultados mais seguros.

Em futuras investigações sugere-se a realização de estudos qualitativos em que seja controlada a variável depressão, de forma a perceber a sua influência no desenvolvimento do burnout. Considera-se, ainda, essencial a realização de estudos longitudinais centrados na avaliação de programas de intervenção ajustados à realidade e contexto em estudo.

As implicações teóricas e práticas deste estudo traduzem-se numa melhor compreensão do fenómeno de burnout nos cuidadores formais, dando o seu contributo:

  • Na compreensão da génese do burnout, em que a dimensão principal parece ser a exaustão emocional, a qual desencadearia sentimentos de desmotivação e frustração, contribuindo para a despersonalização;

  • Clarificação dos fatores de risco mais relevantes/frequentes, nomeadamente o impacto da morte, da complexidade dos casos, da agressividade dos cuidadores informais, dos conflitos interpessoais e do fraco apoio social com os colegas e/ou superiores hierárquicos;

  • Na identificação de fatores relacionados com a dinâmica intrapessoal/relacional como os que aparentemente têm uma maior influência no aparecimento do burnout, em detrimento dos fatores organizacionais;

  • Permitindo sugerir linhas orientadoras, assentes na adaptação dos objetivos e expetativas, a atual situação de trabalho e a equidade social, para se delinearem intervenções mais eficazes, de modo a prevenir ou reduzir o burnout.

Financiamento [TOP]

Os autores não têm qualquer financiamento a declarar.

Conflito de Interesses [TOP]

Um dos autores (R. Aragão) pertence ao Quadro Editorial da revista. Contudo, não desempenhou qualquer papel editorial, nem interveio de forma alguma no processo de seleção ou de avaliação por pares deste artigo.

Agradecimentos [TOP]

Os autores não têm qualquer apoio a declarar.

Referências [TOP]

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