Literature Reviews

Memórias Autobiográficas em Adultos Idosos

Autobiographical Memories in Older Adults

Michele Balola*a, Victor Cláudioa

Resumo

Objetivo: Os autores pretendem rever os principais aspetos no estudo das memórias autobiográficas em adultos idosos.

Método: Neste trabalho foi efetuada, através da PsycINFO, uma pesquisa da literatura publicada de 1 de Janeiro de 2000 a 30 de Abril de 2013, utilizando como palavras-chave: "autobiographical memory", "aging" e "older adults". Um total de 59 artigos foram revistos, dos quais 18 foram incluídos na seleção final.

Resultados: A revisão dos diferentes estudos permitiu observar que existe um declínio da memória episódica. Este efeito não se observou em relação à memória semântica. Os adultos idosos quando comparados com adultos mais jovens, evocam um maior número de memórias de valência positiva.

Conclusão: A qualidade de vida do adulto idoso tem sido objeto de interesse por parte da sociedade atual. Neste sentido, o estudo das funções cognitivas em geral e da memória em particular pode dar um contributo importante, tendo em vista uma melhor compreensão do adulto idoso e dos processos mnésicos a si inerentes, nomeadamente na preservação da memória semântica.

Palavras-Chave: memória autobiográfica, adultos idosos, envelhecimento

Abstract

Aim: The authors intend to review the main aspects in the study of autobiographical memories in older adults.

Method: In this work a research of the literature published from 1st of January 2000 to 30th of April 2013, was performed through PsycINFO, using as keywords: "autobiographical memory", "aging" and "older adults." A total of 59 articles were reviewed, which 18 were included in the final selection.

Results: A review of different studies allowed checking that there is a decline in episodic memory, whereas the same is not true in relation to semantic memory. Oder adults when compared with younger adults recall a greater number of memories with positive valence.

Conclusion: The quality of life of the older adult has been focus of interest from the society. In this sense, psychology can give an important contribution towards a better understanding of the older adult and mnesic processes inherent to itself, namely the preservation of semantic memory.

Keywords: autobiographical memory, older adults, aging

Psychology, Community & Health, 2014, Vol. 3(1), doi:10.5964/pch.v3i1.78

Received: 2013-08-28. Accepted: 2013-10-28. Published (VoR): 2014-03-28.

Handling Editor: Sofia von Humboldt, Research Unit in Psychology and Health – UIPES, I&D, ISPA – Instituto Universitário, Lisbon, Portugal

*Corresponding author at: Unidade de Investigação em Psicologia e Saúde – UIPES, I&D, ISPA – Instituto Universitário, Rua Jardim do Tabaco, 34, 1149-041, Lisboa, Portugal. E-mail: michelebalola@gmail.com

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Introdução [TOP]

A literatura apresenta várias definições de memória autobiográfica, no entanto, podemos assumir este tipo de memória como um conjunto de acontecimentos referentes ao passado de experiências de vida pessoais (Rubin, 2005).

Encontramos várias teorias relativas à estrutura e ao funcionamento das memórias autobiográficas, sendo que as emoções surgem como um aspeto elementar. Rubin (Rubin, Wetzler, & Nebes, 1986) foi um dos autores mais importantes no estudo da importância da emoção nas memórias autobiográficas. O autor constatou que a componente emocional das memórias autobiográficas confere um sentido de organização e de continuidade do self, levando a que estas desempenhem um papel importante na caracterização e identidade do indivíduo.

Podemos salientar três fatores nucleares nas memórias autobiográficas:

  1. Processos de codificação e recuperação que assimilam diversos factores relacionados com o contexto e emoções associadas (Bluck & Li, 2001)

  2. Organização e tendência para preservar o essencial da maioria dos acontecimentos, embora menos frequentemente os detalhes (Mathews, 2006; Nakash & Brody, 2006).

  3. Possibilidade de distorção e reconstituição da memória ao longo de um vasto período de tempo.

É geralmente considerada como um tipo de memória episódica. Todavia, a memória autobiográfica não é apenas de natureza episódica, compreendendo também a integração de informação semântica (Conway & Pleydell-Pearce, 2000; Tulving, Schacter, McLachlan, & Moscovitch, 1988).

A memória episódica e a memória semântica podem ser consideradas como dois sistemas de processamento de informação que: (a) adquirem seletivamente informações de sistemas de perceção ou outros sistemas cognitivos; (b) conservam os vários aspetos da informação recebida; (c) transmitem a informação retida para outros sistemas, mediante instruções específicas. A memória episódica recebe e armazena informações sobre episódios ou acontecimentos específicos, e é responsável pelas relações espácio-temporais entre esses acontecimentos. Um evento percecionado pode ser armazenado na memória episódica apenas em termos das suas propriedades ou atributos percetíveis, e é sempre armazenado em termos da sua referência autobiográfica aos conteúdos já existentes armazenados na memória episódica. A memória semântica é a memória necessária para a utilização da linguagem. É o conhecimento organizado que um indivíduo possui sobre palavras ou outros símbolos verbais, os seus significados e referências, e ainda sobre regras, fórmulas, e algoritmos para a preparação desses símbolos, conceitos e relações. Como foi referido nos trabalhos pioneiros de Tulving (1972), a memória semântica permite a recuperação da informação que não foi diretamente armazenada nesta, deixando o seu conteúdo inalterado.

A compreensão dos componentes episódicos e semânticos na memória autobiográfica apresentam implicações para o envelhecimento (St. Jacques & Levine, 2007). O declínio da memória no envelhecimento é particularmente evidente em tarefas de memória episódica, enquanto que em tarefas de memória semântica, os adultos idosos frequentemente não se diferenciam dos adultos jovens. Este padrão de declínio da memória relacionado com a idade foi analisado em várias investigações de recuperação de memórias autobiográficas (Levine, Svoboda, Hay, Winocur, & Moscovitch, 2002; Piolino, Desgranges, Benali, & Eustache, 2002; St. Jacques & Levine, 2007; St-Laurent, Abdi, Burianová, & Grady, 2011), onde adultos idosos apresentaram declínios em componentes episódicos de memória autobiográfica. Por outro lado, os componentes semânticos eram preservados ou aumentados.

A memória autobiográfica envolve um contexto emocional (Talarico, LaBar, & Rubin, 2004), contribuindo para a organização dos eventos de vida (Berntsen & Rubin, 2002; Rubin & Berntsen, 2003; Schulkind & Woldorf, 2005). Estudos sobre memórias autobiográficas concluíram que os acontecimentos evocados com conteúdo emocional são mais vívidos e detalhados (D’Argembeau, Comblain, & Van der Linden, 2003; Schaefer & Philippot, 2005). Estes estudos sugerem que a emoção deve reforçar os componentes episódicos de memória autobiográfica. Contudo, a emoção tem demonstrado desencadear um efeito prejudicial sobre a recuperação de dados específicos na memória autobiográfica (Schooler & Eich, 2000). Por exemplo, pacientes com perturbações emocionais, como a depressão, têm dificuldade em recordar detalhes específicos e tendem a evocar um maior número de memórias autobiográficas alargadas. A evocação de memórias autobiográficas alargadas poderá ocorrer devido à reativação de respostas emocionais durante a recuperação, que perturbam o processo de evocação para detalhes específicos (Conway & Pleydell-Pearce, 2000; Schaefer & Philippot, 2005). O enviesamento negativo das memórias autobiográficas nos sujeitos deprimidos surge como fundamental para a génese da depressão e a sua manutenção, na medida em que existe um reforço do ciclo depressivo. A depressão encontra-se assim associada a um enviesamento da memória, em que a quantidade de memórias de acontecimentos com valência negativa é superior à de acontecimentos com valência positiva (Claúdio, 2004; Claúdio, Aurélio, & Machado, 2012). No estudo conduzido por Schaefer e Philippot (2005) em que foi controlada a resposta emocional durante a recuperação, concluíram que as memórias autobiográficas emocionais compreendiam mais detalhes semânticos do que as memórias autobiográficas neutras. Os autores verificaram também que as memórias com componentes emocionais foram mais vívidas do que as neutras, corroborando estudos anteriormente realizados. Talmi e Moscovitch (2004) demonstram que a emoção pode diminuir os aspetos episódicos específicos de memória autobiográfica em detrimento de um favorecimento dos componentes semânticos através do aumento de mecanismos organizacionais e de ligação.

A literatura sugere que a capacidade para regular as emoções aumenta com a idade. Quando comparados com jovens adultos, os adultos idosos demonstram serem mais capazes de manter um estado emocional com valência positiva e manter a inexistência de estados emocionais com valências negativas (Carstensen, Pasupathi, Mayr, & Nesselroade, 2000; Kensinger, 2012). Estas alterações podem refletir diferenças no processamento mnésico resultantes do envelhecimento.

Existem diversas estratégias para regular as emoções. Por exemplo, a reavaliação e a supressão são ambas formas eficazes para regular as emoções, todavia têm mecanismos distintos (Gross, 2001). De um modo geral, as estratégias podem ser classificadas como focada na resposta ou focada no antecedente. Estratégias focadas na resposta tentam controlar a emoção depois da sua emergência, enquanto estratégias focadas no antecedente tentam influenciar a emoção antes que esta ocorra. A investigação demonstra que os adultos idosos apresentam um aumento da capacidade de regular as emoções no que concerne a estratégias focadas no antecedente, como reavaliar um evento para alterar o seu impacto emocional, do que em estratégias focadas na resposta, como suprimir a expressão de uma emoção (Gross, 2001).

Numerosos trabalhos (Breslin & Safer, 2013; D’Argembeau et al., 2003; Kensinger, Krendl, & Corkin, 2005; Murphy & Isaacowitz, 2008; St. Jacques & Levine, 2007) demonstram que a regulação das emoções e a importância crescente de objetivos emocionais com a idade sugerem diferenças na memória quando relacionada com informações emocionais. Por um lado, as emoções podem aumentar a importância da informação relevante relativa a informações emocionalmente neutras para adultos idosos. Por outro lado, uma forma de regular a emoção é evitar recordar informações negativas - concentrando-se em informações positivas. Os adultos idosos estão mais propensos a usar estratégias de reavaliação, isto é, podem recordar eventos originalmente negativos de forma mais positiva (Mather, 2004).

Os pacientes com doença de Alzheimer, comparados com outros adultos idosos, não apresentam um aumento de memórias para imagens emocionais comparativamente com as de imagens neutras (Abrisqueta-Gomez, Bueno, Oliveira, & Bertolucci, 2002), nem a precisão da memória para informação emocional (Kensinger, Brierley, Medford, Growdon, & Corkin, 2002). Observa-se, também, nestes pacientes dificuldade para aprender a associar um estímulo neutro com um estímulo aversivo, por exemplo, um ruído elevado (Hamann, Monarch, & Goldstein, 2002). Assim, como seria expectável os adultos idosos com doença de Alzheimer apresentam um padrão de memória muito diferente do observado no envelhecimento normal. Considerando que a emoção melhora a memória em adultos idosos em relação a adultos mais jovens, este padrão emocional diminui ou desaparece em pacientes de Alzheimer (Mather, 2004).

A literatura apresenta inúmeras investigações que se debruçam no estudo dos diferentes aspectos da memória em adultos idosos. Apesar desta diversidade, observa-se uma lacuna em estudos sobre memórias autobiográficas em adultos idosos. Desta forma, o presente estudo apresenta como objectivo rever os trabalhos publicados desde o início do século XXI sobre as memórias autobiográficas em adultos idosos. O presente estudo pretende contribuir para uma melhor compreensão das memórias autobiográficas em adultos idosos.

Método [TOP]

Foi realizada uma revisão da literatura, através de pesquisa de artigos em bases de dados, de 1 de Janeiro de 2000 a 30 de Abril de 2013. A pesquisa de artigos foi realizada através da PsycINFO. Os critérios de inclusão dos artigos foram os seguintes: Estudos que incluiram adultos idosos na amostra (idade igual ou superior a 60 anos); estudos que analisaram os aspectos emocionais, semânticos e/ou episódicos da memória; estudos que avaliaram os efeitos do envelhecimento na evocação de memórias autobiográficas; e literatura relevante para o tema.

Num primeiro momento revimos um total de 59 artigos, dos quais 18 foram incluídos na selecção final. Os artigos revistos encontravam-se redigidos em língua inglesa.

Utilizamos as seguintes palavras-chave: Autobiographical memory, aging, older adults.

Resultados [TOP]

A literatura apresenta inúmeras investigações que incidem no estudo das memórias autobiográficas em adultos idosos. Numa pesquisa na PsycINFO utilizando os descritores autobiographical memory e older adults ou aging obtivemos um total de 35 resultados, dos quais 27 referiam-se a artigos científicos. Os restantes oito resultados referiam-se a teses e dissertações (seis resultados) e a capítulos de livros (dois resultados). Dos 27 artigos científicos encontrados na PsycINFO foram incluídos 14 resultados nesta revisão. Foram igualmente selecionados quatro artigos, pela sua pertinência para o tema, a partir das referências dos artigos selecionados. As populações em estudo eram clínicas e não-clínicas e não englobavam populações multi-étnicas. Os artigos revistos referem-se a estudos quantitativos.

Holland e colaboradores (2012), num estudo recente, examinaram o papel da função executiva na recuperação de memórias autobiográficas específicas em adultos idosos e em relação ao controlo da emoção durante a recuperação. Adultos idosos e adultos mais jovens recuperaram memórias de eventos específicos em resposta às sugestões de palavras com valências emocionais positivas, negativas, e neutras. A relação negativa entre a idade e a especificidade só foi encontrada na recuperação para a valência neutra (Holland, Ridout, Walford, & Geraghty, 2012).

O efeito relacionado com a idade na evocação de memórias autobiográficas com valência emocional e com valência neutra foi analisado por St. Jacques e Levine, em 2007. Os resultados do estudo revelam que os adultos mais jovens evocam um maior número de detalhes episódicos em comparação com os adultos idosos, enquanto os adultos idosos evocam mais detalhes semânticos. As memórias com valências emocionais em ambos os grupos, adultos mais jovens e adultos idosos, continham globalmente mais detalhes do que as memórias de valência neutra, com o reforço da emoção específica nos detalhes episódicos (St. Jacques & Levine, 2007).

No que concerne à relação entre evocação mnésica e conteúdos emocionais, Tomaszczyk e Fernandes (2012) verificaram que adultos idosos evocavam mais memórias autobiográficas classificadas com valência positiva e avaliavam as memórias de forma mais positiva do que os adultos mais jovens. Este aspecto é observado sobretudo quando a tarefa permite a avaliação individual e/ou envolve um estilo reflexivo de processamento, tal como na tarefa de memória autobiográfica. Dijkstra e Kaup (2005) analisaram a recuperação de memórias autobiográficas comparando um período de tempo de vida, entre adultos mais jovens e adultos idosos. Os autores verificaram que as memórias estavam mais acessíveis para os adultos mais jovens e para os adultos idosos quando foram recuperadas memórias alusivas a um determinado período de tempo de vida do que quando era dada uma instrução contrária.

Continuando na relação entre a idade e as características das memórias autobiográficas, Comblain e D’Argembeau (2005) investigaram as diferenças relacionadas com a idade nas características de memórias autobiográficas de eventos com valência positiva, negativa, e neutra. Foi solicitado a um grupo de adultos mais jovens e a um grupo de adultos idosos a tarefa de recordar duas memórias específicas, e para avaliar as memórias evocadas de forma sensorial (por exemplo, visual) e contextual (por exemplo, localização, hora). Os autores verificaram que memórias com valências emocionais (positivas e negativas) continham mais detalhes sensoriais e contextuais do que memórias sem valência emocional, em ambos os grupos etários, enquanto memórias com valências positivas e negativas não diferiram na maioria das dimensões. Por outro lado, as memórias com valência negativa foram associadas a uma maior intensidade de sentimentos com valência positiva e uma menor complexidade nos adultos idosos, em comparação com adultos mais jovens. Várias investigações realizadas vão ao encontro do estudo de Comblain e D´Argembeau, de 2005 (Charles, Carstensen, & Mather, 2003; Denburg, Buchanan, Tranel, & Adolphs, 2003).

As memórias autobiográficas foram analisadas em adultos idosos com sintomatologia depressiva, num estudo de Serrano, Latorre, e Gatz (2007). Os autores conferiram uma evidência de um maior número de memórias autobiográficas alargadas nos sujeitos com sintomas depressivos, no entanto, apenas em palavras de valência negativa, verificando-se que os participantes evocaram em geral memórias mais alargadas do que memórias específicas. Ricarte e colaboradores (2011) averiguaram que idosos com depressão evocavam um menor número de memórias menos específicas quando comparados com o grupo de controlo. Os resultados do estudo indicam que a evocação de memórias autobiográficas categóricas foi superior nas palavras de valência negativa em comparação com as palavras valência positiva, todavia esta diferença apenas foi encontrada no grupo de idosos com depressão. Também, Birch e Davidson (2007), apuraram que o grupo de sujeitos deprimidos evocaram um número significativamente menor de memórias específicas do que o grupo sem depressão, no entanto não diferiram no número de memórias categóricas. Os mesmos resultados foram encontrados por Latorre e colaboradores numa investigação realizada em 2013. Por outro lado, no estudo de Haringsma e colegas (2010) não se encontraram diferenças na especificidade da memória, indicando que a tarefa de memória autobiográfica poderá não ser útil na avaliação clínica da depressão em adultos idosos.

Murphy e Isaacowitz (2008) numa meta-análise que pretendia analisar a preferência por estímulos emocionais na evocação de memórias autobiográficas, apuraram que existem evidências de que a emoção pode potenciar a capacidade dos idosos para recordar particularidades episódicas. Adultos idosos são mais propensos a recordar detalhes afetivos de um evento (por exemplo, se algo era bom ou mau) do que detalhes não afetivos, e recordam mais detalhes de eventos emocionais do que de não-emocionais.

Numa investigação conduzida por St-Laurent e colaboradores (2011) com recurso a neuroimagens através da utilização da ressonância magnética funcional, avaliaram os correlativos neurais na recuperação de memórias autobiográficas, semânticas e episódicas em adultos mais jovens e adultos idosos. Os autores pretenderam com esta análise demonstrar uma diferenciação relacionada à idade em tarefas de memória episódica e autobiográfica, mas não na tarefa de memória semântica ou na condição de controlo. Estes resultados sugerem que a ativação de uma rede comum de memória na recuperação é mantida com a idade, enquanto os aspetos específicos da atividade cerebral que diferem com o conteúdo da memória são mais vulneráveis ​​e com menor nível de seletividade em adultos idosos. Os autores concluíram que, quando se compara as evocações mnésicas entre adultos idosos e adultos mais jovens se observam diferenças no que concerne à memória episódica e autobiográfica, contudo no que concerne a memória semântica estas diferenças não se observam. Este estudo corrobora os resultados anteriormente obtidos por Maguire e Frith (2003).

Piolino e colaboradores (2010) analisaram as relações entre a idade e o acesso a diferentes níveis de memórias autobiográficas, especificidade e dois principais componentes da memória de trabalho: o executivo central e a episódica. Os autores verificaram que as dificuldades relacionadas com a idade aumentam com o nível de especificidade do conhecimento autobiográfico, isto é, de aspetos semânticos para aspetos episódicos. O estudo demonstra ainda um aumento do declínio relacionado com a idade com o nível de especificidade da memória autobiográfica, sendo largamente mediada pelo desempenho de funções executivas (atualização e de inibição) e com um menor grau de ligação na memória de trabalho.

A tabela 1 apresenta uma síntese dos principais resultados e conclusões dos estudos analisados.

Tabela 1

Síntese dos principais resultados e conclusões dos artigos revistos

Autores Data País de Origem N Desenho de Investigação Resultados/Conclusões
Levine, Svoboda, Hay, Winocur, e Moscovitch 2002 Canadá 15 Experimental
  • Menor especificidade da memória

  • Maior número de memórias com detalhes semânticos

Piolino, Desgranges, Benali, e Eustache 2002 França 26 Observacional
  • Efeitos negativos da idade apenas na memória episódica

Charles, Carstensen, e Mather 2003 Estados Unidos da América 80 Experimental
  • Memórias com valência emocional com mais detalhes

  • Preferência por memórias de valência positiva

Denburg, Buchanan, Tranel, e Adolphs 2003 Estados Unidos da América 27 Experimental
  • Performance da memória relacionada com a intenção da emoção no estímulo

Maguire e Frith 2003 Reino Unido 12 Experimental
  • Preferência por memórias de valência emocional positiva

  • Efeitos da idade podem ser verificados no hipocampo

Comblain e D’Argembeau 2005 Bélgica 79 Experimental
  • Evocação de eventos com valência negativa de forma mais positiva

Dijkstra e Kaup 2005 Estados Unidos da América 115 Experimental
  • Maior número de memórias com intensidade emocional e revelantes para o próprio

Birch e Davidson 2007 Escócia 34 Observacional
  • Menor número de memórias específicas em adultos idosos com depressão

St. Jacques e Levine 2007 Canadá 16 Experimental
  • Maior número de memórias com detalhes semânticos

  • Memórias com valência emocional mais detalhadas

Serrano, Latorre, e Gatz 2007 Espanha 185 Observacional
  • Maior número de memórias alargadas com presença de sintomatologia depressiva

Murphy e Isaacowitz 2008 Estados Unidos da América 1085 Meta-análise
  • Preferência por palavras-estímulo com valência emocional e positiva

Piolino, Coste, Martinelli, Macé, Quinette, Guillery-Girard, e Belleville 2010 França 50 Experimental
  • Redução da especificidade da memória episódica em comparação com a memória semântica

Haringsma, Spinhoven, Engels, e van der Leeden 2010 Holanda 181 Experimental
  • Não foram encontradas diferenças na especificidade da memória

Ricarte, Latorre, Ros, Navarro, Aguilar, e Serrano 2011 Espanha 79 Observacional
  • Menor número de memórias específicas em adultos idosos com depressão

St-Laurent, Abdi, Burianová, e Grady 2011 Canadá 15 Experimental
  • Aspectos específicos da memória episódica com menor selectividade em comparação a aspectos semânticos

Holland, Ridout, Walford, e Geraghty 2012 Reino Unido 21 Observacional
  • Maior número de memórias específicas com palavras-estímulo de valência emocional

Tomaszczyk e Fernandes 2012 Canadá 55 Observacional
  • Maior número de memórias autobiográficas com valência positiva

  • Adultos idosos avaliam as memórias de forma mais positiva do que os adultos mais jovens

Latorre, Ricarte, Serrano, Ros, Navarro, e Aguilar 2013 Espanha 33 Observacional
  • Menor número de memórias específicas em adultos idosos com depressão

Discussão [TOP]

Nos adultos idosos existe uma diminuição de componentes episódicos da memória e por outro lado uma preservação de componentes semânticos. As diferenças de idade na recordação de memórias autobiográficas com valência emocional podem refletir um padrão mais geral de mudanças relacionadas à idade na memória, com a recordação diminuída de componentes episódicos e preservadores relativos a aspetos semânticos da memória autobiográfica em idosos quando comparada com adultos mais jovens (St. Jacques & Levine, 2007). Este estudo corrobora resultados obtidos em investigações anteriores (Levine et al., 2002; Piolino et al., 2002, 2006).

A tendência de adultos idosos para se concentrarem em material com valência emocional positiva pode agir como um amortecedor contra os efeitos prejudiciais da reduzida capacidade executiva de recuperação de memórias autobiográficas. O padrão no processamento da informação sugere que existe uma redução da especificidade da evocação relacionado com a idade, mas que o processamento emocional (particularmente de memórias de valência positiva) não é influenciado pela idade. Este padrão representa uma possível melhoria na eficácia nas intervenções por forma a melhorar a especificidade da recuperação da memória autobiográfica em adultos idosos (Holland et al., 2012). Tomaszczyk e Fernandes (2012) verificaram especificamente que o efeito da atribuição de valência positiva associada ao envelhecimento emerge no serviço de regulação da emoção. Comblain e D’Argembeau (2005) sugerem que o efeito da emoção sobre as características de memórias autobiográficas é semelhante em adultos mais jovens e adultos idosos, no entanto, os adultos idosos tendem a reavaliar eventos com valência negativa de forma mais positiva do que os adultos mais jovens.

Estudos realizados com adultos idosos com sintomas depressivos demonstram que existe uma evidência na evocação maior número de memórias autobiográficas alargadas (Serrano et al., 2007). Memórias alargadas referem-se a eventos que se expandem por mais de um dia, enquanto que memórias específicas referem a um evento único e específico no tempo (com duração inferior a um dia) (para uma revisão, Williams et al., 2007). No mesmo sentido do estudo de Serrano e colaboradores (2007), Ricarte e colaboradores (2011) averiguaram que idosos com depressão evocavam memórias menos específicas quando comparados com o grupo de controlo. A correlação entre as memórias específicas e a satisfação com a vida entre adultos idosos não-deprimidos surge como um potencial fator de proteção para a depressão (Ricarte et al., 2011).

A investigação na área das memórias autobiográficas tem vindo a apresentar, na última década, um interesse crescente que se traduziu num aumento da produção científica.

Existem inúmeros estudos empíricos que replicam os seus resultados demonstrando que adultos idosos apresentam um declínio na memória episódica, mas que a memória semântica é preservada ou aumentada. A literatura reforça, igualmente, a preferência que adultos idosos apresentam relativamente às memórias autobiográficas com valência emocional. Verifica-se de forma transversal nos diferentes estudos, que existe uma tendência para a evocação de um maior de número de memórias autobiográficas de valência emocional positiva em detrimento de memórias autobiográficas de valência emocional negativa. Os estudos existentes na literatura fortalecem o facto de existir uma redução da especificidade na evocação de memórias autobiográficas, todavia a literatura mostra igualmente que o processamento da informação com conteúdo emocional não é influenciado pela idade.

Devido ao aumento da esperança média de vida, a sociedade atual tem-se interessado de forma crescente na qualidade de vida do adulto idoso. Esta situação obriga a uma adequada intervenção integradora não apenas do ponto de vista biológico do indivíduo, mas também psicológico. Neste sentido, a psicologia pode dar um contributo importante, tendo em vista uma melhor compreensão do adulto idoso e dos processos mnésicos a si inerentes.

Os estudos na área das memórias autobiográficas em adultos idosos são importantes na medida em que permitem uma melhor compreensão da regulação do humor durante o envelhecimento, contribuindo para a sua saúde física e mental e potenciando a regulação emocional, que por sua vez conduz a um aumento dos níveis de bem-estar ao longo da vida. A investigação nesta área, poderá ser importante ao nível da prevenção na saúde mental dos adultos idosos, por exemplo no caso da depressão.

Podemos assinalar como limitações do estudo o facto da pesquisa ter sido realizada apenas numa base de dados, a PsycINFO. Consideramos que o estudo poderia beneficiar de uma revisão mais alargada com a realização de uma pesquisa em várias bases de dados. Outra limitação prende-se com o facto de não terem sido analisados estudos qualitativos nesta revisão. Desta forma, o estudo favorecia em se considerar incluir investigações que analisem as narrativas autobiográficas de adultos idosos, por exemplo em contexto psicoterapêutico.

Para se avaliar e compreender o processamento da informação em adultos idosos, seria importante que investigações futuras se debruçassem no estudo dos aspetos que influenciam a preservação da memória semântica. De igual modo, seria importante que investigações futuras apurassem a função da emoção no declínio da memória episódica em adultos idosos.

Financiamento [TOP]

Os autores não têm financiamento a declarar.

Conflito de Interesses [TOP]

Victor Cláudio é membro da conselho editorial da revista, mas não desempenhou qualquer papel editorial neste artigo.

Agradecimentos [TOP]

Os autores não têm quaisquer apoios a declarar.

Referências [TOP]

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