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Adaptação ao Cancro da Mama e Cancro Ginecológico no Período Pré- e Pós-Operatório

Adaptation to Breast Cancer and Gynecological Cancer in Pre- and Postoperative Period

Cláudia Alves*a, Henrique Pereiraab

Resumo

Objetivo: Investigar a adaptação ao cancro da mama e cancro ginecológico no período pré e pós-operatório revela-se o principal objetivo deste estudo, de forma a que se possa conhecer o impacto emocional bem como os recursos sociais e a forma como as mulheres lidam com a sua situação clínica, para uma intervenção adequada em ambas as fases. Método: A amostra é constituída por 76 mulheres diagnosticadas com cancro da mama, cancro ginecológico e a realizar reconstrução oncoplástica e que estejam a ser seguidas em situação de internamento sendo reincidentes ou não. Os dados foram recolhidos junto destas numa fase pré-operatória e/ou pós-operatória. Resultados: Relativamente às diferenças entre o período pré e pós-operatório ao nível emocional, verificamos que apenas a diminuição da ansiedade do período pré para o pós-operatório é estatisticamente significativa. Conclusão: Os níveis de ansiedade nestas mulheres tende a decrescer do período pré para o pós-operatório. Constatamos ainda que, a adaptação no geral aumenta ligeiramente enquanto a satisfação com o suporte social diminui.

Palavras-Chave: cancro da mama, cancro ginecológico, reconstrução oncoplástica, período pré e pós-operatório, adaptação, suporte social

Abstract

Aim: To investigate the adaptation to breast cancer and gynecological cancer in pre- and postoperative periods is the main objetive of this study, to better understand the emotional impact, the social resources, and how women deal with their clinical situation for developing an appropriate intervention at both phases. Method: The sample is composed of 76 women diagnosed with breast cancer or gynecological cancer who underwent oncoplastic reconstruction, and who were followed during hospitalization, with relapse or without. The data were collected during the preoperative and / or postoperative periods. Results: Regarding the differences between the pre- and postoperative periods on an emotional level, we found that only a decrease in anxiety from the pre- to postoperative period was statistically significant. Conclusion: Anxiety levels in these women tend to decrease from the pre- to the postoperative period. We also noted that, the general adaptation increases slightly while satisfaction with social support decreases.

Keywords: breast cancer, gynecological cancer, oncoplastic reconstruction, pre- and postoperative period, adaptation, social support

Psychology, Community & Health, 2013, Vol. 2(3), doi:10.5964/pch.v2i3.59

Received: 10 December 2012. Accepted: 06 September 2013. Published (VoR): 25 November 2013.

*Corresponding author at: Departamento de Psicologia e Educação, Universidade da Beira Interior, Estrada do Sineiro, s/n 6200 Covilhã, Portugal. E-mail: calexandra2@hotmail.com

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Introdução [TOP]

De acordo com a Liga Portuguesa Contra o Cancro, dos cerca de 4,500 novos casos de cancro da mama em Portugal, há cerca de 1,500 mortes anuais com esta doença. É o tumor com maior taxa de mortalidade nas mulheres (Cruz, 2011). Por ser uma problemática tão recorrente atualmente, torna-se crucial a abordagem da psico-oncologia que é a especialidade da oncologia que lida com duas dimensões psicológicas: As reações psicológicas de pacientes com cancro e das suas famílias em todas as fases da doença e os fatores psicológicos, sociais, e comportamentais que contribuem para causarem cancro e para a sua sobrevivência (Holland & Weiss, 2010). Nesta sequência, verificamos que vários estudos indicam que os doentes oncológicos apresentam uma prevalência mais elevada de psicopatologia do que a população normativa, sendo a depressão a psicopatologia mais frequente (75%) (ver, por exemplo, Torres et al., 2010). Contudo, segundo uma investigação de Moreira, Silva, e Canavarro (2008) apenas 15,7% das mulheres obtiveram resultados acima do ponto de corte para uma perturbação depressiva significativa, o que demonstra uma contradição de resultados apresentados na literatura. Os fatores psicossociais considerados no impacto da patologia mamária nas mulheres são os acontecimentos de vida, o suporte social percebido, a qualidade de vida, o stress, as estratégias de coping, o controlo emocional e necessidade de harmonia e, por fim, a personalidade (Patrão & Leal, 2004).

Resultados de uma investigação levada a cabo por Rossi e Santos (2003), relatam que as consequências psicológicas do cancro e do seu tratamento alteram conforme o momento que está a ser vivenciado. Desta forma, relativamente ao desenvolvimento da doença e consequente tratamento, foi identificado o momento pré-diagnóstico, a etapa do diagnóstico, a etapa do tratamento e momento pós-tratamento. A resposta emocional e o impacto na qualidade de vida, em cada estádio deste ciclo psico-oncológico, são significativamente diferentes face ao primeiro estádio, correspondente ao pré-diagnóstico, onde se verifica um descuido das pacientes em relação ao próprio corpo e a negação da realidade. Na segunda fase as pacientes formulam as suas queixas quanto à postura negligente dos profissionais médicos e enfatizam os sentimentos vivenciados em relação à doença e ao tratamento que será a seguinte etapa, onde as queixas compreendem os efeitos físicos e os danos causados ao organismo pelo tratamento cirúrgico, rádioterapêutico e quimioterapêutico. Finalmente, na fase pós-tratamento, parecem evidenciar-se as repercussões no plano afetivo-sexual e também as dificuldades de adaptação à nova situação de vida, com limitações físicas e restrições (Rossi & Santos, 2003). Neste estudo, apenas serão investigados os dois últimos momentos, mais especificamente no que diz respeito ao tratamento através da cirurgia (momento pré e pós-operatório). Contudo, segundo Patrão (2007), ao longo das fases impostas pela experiência do cancro da mama, as mulheres mantêm um estado emocional equilibrado, o que revela uma discrepância relativamente ao estudo anterior. Segundo esta autora, perante o diagnóstico de cancro da mama (estádio 1), a cirurgia (estádio 2) e aos tratamentos adjuvantes (estádio 3), as mulheres revelam níveis baixos de ansiedade e depressão, sem diferenças significativas de estádio para estádio.

O diagnóstico de cancro é um acontecimento que requer a adoção de estratégias de coping, de forma a lidar com os diferentes estádios da doença e com os desafios específicos e inerentes à mesma. As respostas cognitivas e comportamentais que fazem parte do processo de adaptação a esta situação específica levam à determinação das estratégias de coping mais utilizadas pelas mulheres a quem foi diagnosticado cancro da mama. Os dados encontrados indicam que as estratégias mais utilizadas são a estratégia espírito de luta e a estratégia fatalismo que permitem a adaptação à situação de forma completamente distinta, uma vez que a estratégia espírito de luta é considerada uma estratégia de coping focada na resolução do problema, enquanto a estratégia fatalismo é classificada como sendo uma estratégia de coping focada na emoção (Varela & Leal, 2007).

Especificamente em relação à cirurgia, estádio investigado neste estudo, o período de espera é experienciado como muito ansiogénico quando se enfrenta o cancro da mama, sendo que as experiências pré-operatórias têm impacto pós-operatório e a fase de diagnóstico do cancro da mama desencadeia uma diversidade de reações emocionais colocando exigências extraordinárias nas estratégias de coping das mulheres (Drageset, Lindstrom, & Underlid, 2010). A situação de internamento hospitalar e a antecipação da intervenção cirúrgica, para além de frequentemente implicar níveis mais elevados de ansiedade, podem comprometer, por exemplo, os níveis de energia da paciente, assim como a perceção da sua vitalidade, as suas atividades quotidianas, a possibilidade de trabalhar, o sono, e o repouso (Moreira et al., 2008). Portanto, a preparação psicológica das mulheres para a cirurgia, detém implicações importantes para a recuperação. As mulheres com elevada ansiedade no período pré-operatório, tendem a referir maior sofrimento e maior utilização de medicação, a permanecer no hospital mais tempo, e a revelar maior ansiedade e depressão durante a recuperação, do que pacientes com menor medo no período pré-operatório (Anderson & Masur, 1983; Johnson, 1983, cit. por Sarafino, 2002). O otimismo e o pessimismo dos pacientes perante a vida desempenham um papel importante no sucesso com o qual se adaptam ao diagnóstico e à cirurgia de cancro da mama (Carver et al., 1994).

Outro aspeto a considerar é o tipo de cirurgia, pois as pacientes com suspeita de cancro da mama que são submetidas à remoção de um nódulo ou tecido mamário para diagnóstico histológico apresentam níveis e prevalência de ansiedade-estado mais elevada do que as pacientes a serem submetidas a mamoplastias (reconstrução oncoplástica) (Alves et al., 2007). Verificou-se também que as mulheres tumorectomizadas apresentam maior preocupação com a queda do cabelo e menor sensação de falta de ar que as doentes que foram submetidas a mastectomia, uma vez que as mulheres com cancro da mama sujeitas a tumorectomia, ao conservarem as suas mamas, é possível que a perceção da sua imagem corporal esteja mais associada à queda de cabelo, aspeto dificilmente ocultável aos que as rodeiam (Rebelo, Rolim, Carqueja, & Ferreira, 2007).

Os cuidados devem centrar-se especificamente sobre os aspetos emocionais antes da cirurgia e sobre os aspetos psicossociais, incluindo a recuperação física antes da alta. Relativamente a este último ponto, as pacientes cujo tumor está localizado no útero, as pacientes desempregadas e as pacientes com complicações pós-operatórias foram consideradas mais vulneráveis (Matsushita et al., 2007).

A maioria das mulheres consegue integrar a reconstrução como parte do seu corpo, portanto, a autoconfiança e a imagem corporal melhora. Então, emocionalmente, as mulheres adaptam-se facilmente a esta situação, o que significa que a reconstrução tem um papel significativo na forma como as mulheres lidam com as diversas experiências de ser uma sobrevivente de cancro da mama, pois a reconstrução ajuda a esquecer o diagnóstico (Spector, Mayer, Knafl, & Pusic, 2011).

Uma resposta emocional adaptada está associada a estratégias de coping eficazes, à perceção da satisfação com o suporte social e qualidade de vida a diversos níveis (Patrão, 2007). Os resultados da investigação de Peters et al. (2007) demonstram que uma atitude otimista influencia os pacientes no que concerne às estimativas globais da sua recuperação e qualidade de vida no follow-up. Em mulheres que realizam acompanhamento psicológico durante a doença, o impacto é reduzido, conduzindo ao surgimento de uma resposta emocional equilibrada, uma resposta cognitiva adaptativa e uma resposta de satisfação com o suporte social (Patrão, 2007). As terapias têm-se focado no encorajamento da expressão das emoções negativas (Lieberman & Goldstein, 2006). Contudo, as mulheres que expressam mais ansiedade mostram o efeito inverso, ou seja, mais depressão e menor qualidade de vida (Lieberman & Goldstein, 2006).

Relativamente ao suporte social, este poderá advir de diversas fontes (Chantler, Podbilewicz-Schuller, & Mortimer, 2005). O seu efeito é conhecido nas situações de stress, nomeadamente no impacto do diagnóstico de doença oncológica (Santos, Ribeiro, & Lopes, 2003). Numa investigação levada a cabo por Kinsinger, Mcgregor, e Bowen (2009), o suporte social percebido é inversamente associado à depressão, à ansiedade e à preocupação com o cancro. Isto é especialmente importante, dado que o apoio sócio-emocional está associado a uma diminuição de problemas físicos ao longo do tempo.

A adaptação psicológica à doença oncológica deve ser considerada como um processo dinâmico que envolve a utilização de estratégias que permitem à mulher lidar com o desgaste emocional e com a perceção de falta de controlo sobre a situação, o que leva a que recorram a estratégias que têm como objetivo a resolução do problema (Varela & Leal, 2007). Assim, evidencia-se a necessidade de se promover as estratégias de coping eficazes, como o espírito de luta e mediar o suporte social benéfico, no sentido da intervenção se centrar na estimulação de um suporte social adequado às necessidades das mulheres, bem como na aplicação de recursos pessoais válidos e já utilizados em acontecimentos de vida passados (Patrão, Leal, & Maroco, 2012).

Portanto, conhecer os fatores que facilitam ou interferem na adaptação psicológica ao diagnóstico de uma doença oncológica é extremamente importante, na medida em que pode contribuir para o desenvolvimento de intervenções mais eficazes fundamentalmente no que respeita ao ensino e à prática de estratégias de coping que facilitem a adaptação à doença (Francisco, Carvalho, & Batista, 2008). Para tal, é necessário perceber quais as principais dificuldades evidenciadas pelas mulheres na situação de cancro da mama, ginecológico ou a realizar reconstrução oncoplástica para que se intervenha no período em que a mulher apresenta maior sofrimento emocional e tendo em conta as maiores dificuldades de adaptação à doença apresentadas pelas mesmas.

Método [TOP]

Participantes [TOP]

A amostra caracteriza-se por mulheres diagnosticadas com cancro da mama, com cancro ginecológico, a realizar reconstrução oncoplástica, e que estejam a ser seguidas em situação de internamento, numa fase pré e/ou pós-operatória, sendo reincidentes ou não, isto é, tendo historial de doença oncológica anterior ou não. Esta amostra (n = 76) tem uma média de idades de 58,88 anos, sendo que a mulher mais nova tem 35 anos e a mais idosa 81 anos. Do total da amostra, 30,3% referiram ter o 12º ano de escolaridade, seguido de 27,6% com apenas a 4ª classe. No que concerne ao estatuto sócio-económico, 46,1% enquadra-se no estatuto médio e 22,4% no baixo e, maioritariamente residentes no distrito de Lisboa. Relativamente ao estado civil, 64,5% da amostra é casada. Os problemas mais apontados pelas mulheres desta amostra são os problemas de saúde (31,6%) e a depressão (10,5%).

Material [TOP]

Neste estudo, foi utilizado um questionário sociodemográfico para recolha de dados como a idade, género, estado civil, residência (distrito), número de pessoas que compõem o agregado familiar, profissão, número de filhos, idades dos filhos, histórico de amamentação (considerado positivo se amamentou mais do que uma semana), principais problemas identificados no momento (depressão, ansiedade, problemas de saúde, problemas económicos, problemas familiares, e outros), realização anterior ao diagnóstico de autoapalpação mamária e exames de diagnóstico, existência ou não de antecedentes familiares e/ou pessoais de doença oncológica e, por fim, acompanhamento psicológico e/ou psiquiátrico. Recorreu-se também aos seguintes instrumentos de avaliação psicológica:

  1. Escala de Satisfação com o Suporte Social (ESSS; Pais Ribeiro, 1999): A ESSS foi desenvolvida e validada por Pais-Ribeiro (1999). A sua consistência interna foi de 0,83. Esta é uma escala de autopreenchimento, composta por 15 itens, apresentada sob a forma de escala de Likert com cinco posições de resposta, “concordo totalmente”, “concordo na maior parte”, “não concordo nem discordo”, “discordo na maior parte”, e “discordo totalmente”. A ESSS permite extrair quatro dimensões: Satisfação com amigos/amizades (SA); Intimidade (IN); Satisfação com a família (SF); e Atividades sociais (AS). A escala permite ainda a obtenção de um score global (ESSS; Pais Ribeiro & Guterres, 2001, cit. por Santos, Ribeiro, & Lopes, 2003).

  2. Termómetros Emocionais (Mitchell, Baker-Glenn, Granger, & Symonds, 2010): Versão de investigação de Pereira e Teixeira (2009): Este instrumento é uma combinação de cinco escalas analógico-visuais na forma de cinco domínios (angústia, ansiedade, depressão, raiva, e necessidade de ajuda). Cada domínio é avaliado numa escala de tipo Likert de 11 pontos (0-10), num formato de termómetro visual.

  3. Escala de Ajustamento Mental ao Cancro: Mini-MAC é o acrónimo de Mental Adjustment to Cancer Scale- reduzida. A Mini-MAC é uma escala com 29 itens desenvolvida por Watson et al. (1994, cit. por Pais Ribeiro, Ramos, & Samico, 2003) a partir da versão original da MAC (Watson et al., 1988, cit. por Pais Ribeiro, Ramos, & Samico, 2003). Os 29 itens da Mini-MAC repartem-se em cinco dimensões: “Desespero” (alfa de Cronbach = 0,79); “Preocupação Ansiosa” (alfa de Cronbach = 0,88); “Espírito de Luta” (alfa de Cronbach = 0,72); “Evitamento Cognitivo” (alfa de Cronbach = 0,84); e “Fatalismo” (alfa de Cronbach = 0,28). Cada item é uma afirmação que descreve reações dos doentes face ao cancro. O doente deverá responder, numa escala tipo Likert de cinco posições (entre “não se aplica de modo nenhum a mim” até “aplica-se totalmente a mim”) consoante a sua situação (Pais Ribeiro, Ramos, & Samico, 2003).

Procedimento [TOP]

O recrutamento desta amostra foi efetuado em situação de internamento de ginecologia/senologia da Maternidade Dr. Alfredo da Costa, numa fase de preparação para a cirurgia, isto é, no período pré-operatório e/ou numa fase pós-operatória.

Numa primeira instância, procedeu-se ao pedido de autorização para realizar a investigação na instituição pretendida, a Comissão de Ética para a Saúde da Maternidade Dr. Alfredo da Costa. Recolheu-se a amostra junto de mulheres diagnosticadas com cancro da mama, cancro ginecológico, e em fase de reconstrução oncoplástica, em situação de internamento, na fase pré e/ou pós-operatória. Seguidamente, procede-se à explicação de todo o procedimento e realiza-se o consentimento informado. Posteriormente, segue-se a aplicação dos questionários referidos anteriormente (em primeiro lugar o questionário sócio-demográfico, de seguida os termómetros emocionais, posteriormente a Mini-MAC, e por fim a ESSS), em situação de internamento, na fase pré-operatória, ou seja, na véspera da cirurgia, administrado pelo investigador e com o compromisso de que o mesmo procedimento será realizado no dia seguinte à realização da cirurgia se a mulher e o seu estado físico assim o permitir.

Análise Estatística [TOP]

Investigar a adaptação ao cancro da mama e ao cancro ginecológico no período pré e pós-operatório revela-se o principal objetivo deste estudo, de forma a que se possa conhecer o impacto emocional bem como os recursos sociais e a forma como as mulheres lidam com a sua situação clínica, para uma intervenção adequada em ambas as fases. Em primeiro lugar, recorreu-se à estatística descritiva para efeitos de caracterização da amostra. Uma vez que a amostra segue uma distribuição normal, a análise estatística dos dados realizou-se através de testes paramétricos, mais especificamente através do teste t-student para amostras emparelhadas, utilizados com variáveis dicotómicas (pré ou pós-operatório, cancro da mama ou reconstrução oncoplástica, solteira ou casada, mulheres mais velhas e mais novas, sim ou não, 4ª classe ou 12º ano, as variáveis cirurgia conservadora ou não conservadora).

Resultados [TOP]

De seguida serão apresentados os principais resultados da investigação: A comparação entre grupos (pré e pós-operatório, mulheres com cancro da mama e reconstrução oncoplástica, mulheres mais velhas e mais novas, maior e menor nível de habilitações literárias, mulheres casadas e solteiras e cirurgia conservadora e não conservadora da mama) e outros aspetos como a influência da amamentação na incidência do cancro, sendo a análise efetuada com a amostra global.

Hipótese 1: As mulheres a realizar reconstrução oncoplástica revelam menor sofrimento emocional e mais adaptação do que as mulheres com cancro da mama. Esta hipótese coloca-se ao partir do pressuposto de que nesta fase a mulher sente a sua doença controlada.

Hipótese 2: As mulheres com cancro da mama demonstram maior satisfação com o suporte social percebido do que em fase de reconstrução oncoplástica. O pressuposto que levou à formulação desta hipótese é de que as mulheres com cancro da mama têm mais necessidade de ajuda e portanto sentem maior satisfação com o suporte social.

Relativamente à comparação entre o cancro da mama e a reconstrução oncoplástica (Tabela 1), podemos referir que é estatisticamente significativo, que na segunda situação as utentes revelaram maior preocupação ansiosa, maior intimidade, mais atividades sociais e consequentemente também uma maior adaptação global ao cancro e satisfação com o suporte social global. Desta forma a hipótese 1 é aceite, quanto a hipótese 2 é rejeitada.

Tabela 1

Comparação entre o Cancro da Mama e a Reconstrução Oncoplástica relativamente ao Sofrimento Emocional, Adaptação, e Satisfação com o Suporte Social

Patologia N M dp t df p
Termómetros Emocionais: Sofrimento Emocional CM 34 4,79 3,514 0,634 52 0,529
OP 20 4,20 2,966
Termómetros Emocionais: Ansiedade CM 34 5,12 3,364 -0,198 52 0,844
OP 20 5,30 3,114
Termómetros Emocionais: Depressão CM 34 3,68 3,254 0,694 52 0,491
OP 20 3,00 3,784
Termómetros Emocionais: Revolta CM 34 2,97 3,672 0,166 52 0,868
OP 20 2,80 3,578
Termómetros Emocionais: Necessidade de Ajuda CM 34 3,32 2,962 0,326 52 0,746
OP 20 3,05 3,000
Desespero CM 34 24,647 3,123 -1,045 52 0,301
OP 20 25,600 3,424
Preocupação Ansiosa CM 32 20,969 5,591 -2,586 50 0,013
OP 20 25,100 5,628
Espírito de Luta CM 33 13,970 1,610 -0,744 50 0,460
OP 19 14,421 2,775
Evitamento Cognitivo CM 32 12,469 3,427 -0,780 50 0,439
OP 20 13,200 3,054
Fatalismo CM 33 14,939 1,657 -0,973 51 0,335
OP 20 15,450 2,139
Satisfação com Amigos CM 34 9,794 2,750 -1,702 52 0,095
OP 20 11,050 2,373
Intimidade CM 34 9,559 3,057 -2,383 52 0,021
OP 20 11,550 2,780
Satisfação com Família CM 34 5,088 3,213 1,285 52 0,205
OP 20 4,050 2,139
Atividades sociais CM 34 8,235 3,846 -2,226 52 0,030
OP 20 10,600 3,633
Sofrimento Mental Global CM 34 19,882 13,084 0,414 52 0,681
OP 20 18,350 13,216
Adaptação Global CM 30 91,333 8,946 -2,183 47 0,034
OP 19 97,631 11,127
Satisfação com o Suporte Social Global CM 34 32,677 7,908 -2,333 52 0,024
OP 20 37,250 4,887

Note. CM = Cancro da mama; OP = Oncoplástica.

Hipótese 3: Verifica-se maior sofrimento emocional percecionado pelas mulheres no período pré-operatório. Esta hipótese foi formulada no sentido de verificar se o sofrimento emocional é maior antes da cirurgia face aos riscos da mesma e ao alívio provavelmente sentido pelo suposto controlo da sua doença através da cirurgia.

Relativamente à Tabela 3, às diferenças entre o período pré e pós-operatório, visíveis na Tabela 2, ao nível emocional, podemos verificar que apenas a diminuição da ansiedade do período pré para o pós-operatório é estatisticamente significativa, pelo que se aceita a hipótese 3.

Tabela 2

Sofrimento Emocional no Pré e Pós-Operatório

Período N M dp t df p
Termómetros Emocionais: Sofrimento Emocional Pré 35 4,86 3,264 0,661 74 0,511
Pós 41 4,37 3,200
Termómetros Emocionais: Ansiedade Pré 35 5,91 2,934 2,503 74 0,015
Pós 41 4,10 3,330
Termómetros Emocionais: Depressão Pré 35 3,91 3,476 1,550 74 0,125
Pós 41 2,78 2,903
Termómetros Emocionais: Revolta Pré 35 3,03 3,585 0,385 74 0,701
Pós 41 2,71 3,662
Termómetros Emocionais: Necessidade de Ajuda Pré 35 3,57 2,660 -0,186 74 0,853
Pós 41 3,71 3,551
Sofrimento Mental Global Pré 35 21,286 12,104 1,256 74 0,213
Pós 41 17,659 12,910

Note. Pré = Pré-operatório; Pós = Pós-operatório.

Tabela 3

Adaptação e Satisfação com o Suporte Social no Pré e Pós-operatório

Período N M dp t df p
Desespero Pré 35 24,714 3,186 -0,414 74 0,680
Pós 41 25,024 3,313
Preocupação Ansiosa Pré 34 21,294 5,977 -0,817 72 0,417
Pós 40 22,450 6,139
Espírito de luta Pré 35 13,771 2,276 -1,469 71 0,146
Pós 38 14,474 1,797
Evitamento Cognitivo Pré 35 12,457 3,013 -0,680 72 0,498
Pós 39 12,974 3,475
Fatalismo Pré 33 14,939 1,819 -0,431 72 0,668
Pós 41 15,122 1,805
Satisfação com Amigos Pré 35 10,200 2,530 0,208 74 0,836
Pós 41 10,073 2,742
Intimidade Pré 35 10,486 3,091 0,685 74 0,495
Pós 41 10,024 2,779
Satisfação com Família Pré 35 4,543 2,548 0,132 74 0,895
Pós 41 4,463 2,666
Atividades Sociais Pré 35 9,886 3,763 1,423 74 0,159
Pós 41 8,659 3,732
Adaptação Global Pré 33 91,546 10,542 -1,241 67 0,219
Pós 36 94,583 9,796
Satisfação com o Suporte Social Global Pré 35 35,114 7,599 1,161 74 0,250
Pós 41 33,220 6,635

Note. Pré = Pré-operatório; Pós = Pós-operatório.

Hipótese 4: Existe perceção de uma maior adaptação à doença no período pós-operatório. Esta hipótese tem como objetivo verificar se as pessoas no período pós-operatório se encontram mais adaptadas, não só devido ao tempo decorrido bem como pela perceção de controlo da situação clínica pelas profissionais de saúde.

Hipótese 5: Existe uma maior satisfação com o suporte social percebido no período pré-operatório, pois pretende-se verificar se as mulheres percecionam maior apoio no período pré-operatório pela possibilidade de que a rede social esteja mais disponível pela antecipação da cirurgia em contraste com o período pós-operatório, em que o problema já poderá ter sido controlado mas em contraste pode necessitar mais de ajuda durante a recuperação.

Relativamente às diferenças entre o período pré e pós-operatório na adaptação ao cancro, constatamos que, apesar de não se verificarem resultados significativos, o desespero, a preocupação ansiosa, o espírito de luta, e o fatalismo tendem a aumentar. Desta forma, a adaptação no geral aumenta ligeiramente enquanto a satisfação com o suporte social diminui. Assim, as hipóteses 4 e 5 são rejeitadas, apesar de revelarem a tendência que se esperava.

Hipótese 6: As mulheres casadas revelam menor sofrimento emocional, maior adaptação e maior satisfação com o suporte social. O objetivo desta análise será verificar se as mulheres casadas se encontram mais adaptadas e em menor sofrimento por percecionarem o suporte de alguém tão próximo e presente como o cônjuge.

Estabeleceu-se uma comparação na tentativa de relacionar o facto de se ser casada ou solteira e a adaptação ao cancro. Resultaram diferenças estatisticamente significativas, demonstradas na Tabela 4, ao nível da revolta, sendo esta superior nas mulheres casadas e na satisfação com a família para as mulheres solteiras. Portanto, não foi possível confirmar a hipótese 6.

Tabela 4

Comparação Entre Mulheres Casadas e Solteiras Relativamente ao Sofrimento Emocional, Adaptação, e Satisfação com o Suporte Social

Estado Civil N M dp t df p
Termómetros Emocionais: Sofrimento Emocional Solteiro 6 3,33 3,777 -0,730 53 0,468
Casada 49 4,33 3,071
Termómetros Emocionais: Ansiedade Solteiro 6 5,00 3,633 0,087 53 0,931
Casada 49 4,88 3,212
Termómetros Emocionais: Depressão Solteiro 6 2,67 3,077 0,012 53 0,991
Casada 49 2,65 2,697
Termómetros Emocionais: Revolta Solteiro 6 0,33 0,816 -1,938 53 0,058
Casada 49 3,14 3,512
Termómetros Emocionais: Necessidade Ajuda Solteiro 6 5,00 3,406 1,179 53 0,244
Casada 49 3,33 3,268
Desespero Solteiro 6 25,667 2,066 0,477 53 0,636
Casada 49 25,082 2,907
Preocupação Ansiosa Solteiro 6 25,333 5,279 1,302 52 0,199
Casada 48 22,250 5,487
Espírito de Luta Solteiro 6 14,333 0,817 0,425 51 0,673
Casada 47 13,915 2,376
Evitamento Cognitivo Solteiro 6 12,333 2,503 -0,336 52 0,738
Casada 48 12,813 3,369
Fatalismo Solteiro 6 15,333 1,862 0,345 51 0,732
Casada 47 15,043 1,956
Satisfação com Amigos Solteiro 6 10,333 2,582 -0,178 53 0,860
Casada 49 10,551 2,858
Intimidade Solteiro 6 11,000 0,894 0,213 53 0,832
Casada 49 10,755 2,773
Satisfação com Família Solteiro 6 6,333 2,944 2,425 53 0,019
Casada 49 4,184 1,933
Atividades Socias Solteiro 6 11,167 3,061 1,238 53 0,221
Casada 49 9,122 3,887
Sofrimento Mental Global Solteiro 6 16,333 12,372 -0,386 53 0,701
Casada 49 18,327 11,893
Adaptação Global Solteiro 6 96,833 9,928 0,689 48 0,494
Casada 44 93,864 9,896
Satisfação com o Suporte Social Global Solteiro 6 38,833 2,639 1,406 53 0,165
Casada 49 34,612 7,242

Hipótese 7: As mulheres mais novas demonstram maior sofrimento emocional, menor adaptação e maior satisfação com o suporte social percebido. Equacionou-se esta hipótese porque a literatura defende que as mulheres mais novas possam ser mais afetadas pelas mudanças físicas assim como pela perda da capacidade reprodutiva, uma vez que o tratamento poderá induzir menopausa, e pela interrupção do desenvolvimento educacional e da carreira para as mulheres mais jovens.

Através dos resultados evidenciados na Tabela 5 podemos verificar que foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre o grupo de mulheres mais novas (dos 35 aos 58 anos) e o grupo das mulheres mais velhas (dos 59 aos 81 anos) tendo em conta a média de idades da amostra. Desta forma, as mulheres mais velhas evidenciam maior sofrimento emocional, maior depressão, necessidade de ajuda, evitamento cognitivo, e sofrimento mental global, contudo demonstram maior espírito de luta. Ao passo que o grupo de mulheres mais novas revela maior desespero, porém mais atividades sociais. Assim a hipótese 7 é aceite.

Tabela 5

Comparação Entre Mulheres Mais Novas e Mais Velhas Relativamente ao Sofrimento Emocional, Adaptação, e Satisfação com o Suporte Social

Idade N M dp t df p
Termómetros Emocionais: Sofrimento Emocional N 40 3,83 3,343 -2,250 74 0,027
V 36 5,44 2,883
Termómetros Emocionais: Ansiedade N 40 4,97 3,431 0,114 74 0,909
V 36 4,89 3,115
Termómetros Emocionais: Depressão N 40 2,63 3,143 -1,978 74 0,052
V 36 4,06 3,153
Termómetros Emocionais: Revolta N 40 2,17 3,289 -1,757 74 0,083
V 36 3,61 3,834
Termómetros Emocionais: Necessidade Ajuda N 40 2,95 3,012 -2,069 74 0,042
V 36 4,42 3,166
Desespero N 40 25,650 3,118 2,239 74 0,028
V 36 24,028 3,194
Preocupação Ansiosa N 38 23,000 6,000 1,595 72 0,115
V 36 20,778 5,977
Espirito de Luta N 37 13,514 2,5124 -2,742 71 0,008
V 36 14,778 1,174
Evitamento Cognitivo N 38 11,368 3,597 -4,074 72 0,000
V 36 14,167 2,063
Fatalismo N 38 14,947 1,845 -0,455 72 0,651
V 36 15,139 1,775
Satisfação com Amigos N 40 10,400 2,706 0,937 74 0,352
V 36 9,833 2,547
Intimidade N 40 10,600 3,011 1,147 74 0,255
V 36 9,833 2,793
Satisfação com Família N 40 4,225 1,901 -0,974 74 0,333
V 36 4,806 3,197
Atividades Socias N 40 10,050 3,602 2,056 74 0,043
V 36 8,306 3,793
Sofrimento Mental Global N 40 16,550 13,027 -2,072 74 0,042
V 36 22,417 11,498
Adaptação Global N 33 93,455 10,405 0,251 67 0,803
V 36 92,833 10,146
Satisfação com o suporte Social Global N 40 35,275 7,818 1,543 74 0,127
V 36 32,778 6,072

Note. N = Mais novas; V = Mais velhas.

Hipótese 8: As mulheres que compõem a amostra não amamentaram. Segundo a literatura, a amamentação será um fator de proteção para o cancro da mama e cancro ginecológico.

A maioria das participantes (61,8%), nesta investigação, amamentou. Este resultado, revelado na Tabela 6, contradiz o defendido pela literatura, sendo que, desta forma a hipótese 8 é rejeitada.

Tabela 6

Amamentação

Frequência Percentagem Percentagem Válida
Validos Sim 47 61,8 75,8
Não 15 19,7 24,2
Total 62 81,6 100,0
Missing 14 18,4
Total 76 100,0

Hipótese 9: As mulheres com mais habilitações literárias demonstram menor sofrimento emocional, maior adaptação ao cancro e maior satisfação com o suporte social. Esta hipótese surge na possível tendência das pessoas com mais escolaridade possuírem mais capacidade para se adaptarem a diversas situações, com menor sofrimento emocional e uma maior satisfação com o suporte social que adquirem da sua rede social.

Pode-se constatar, a partir dos resultados demonstrados na Tabela 7, que as mulheres com maior escolaridade apresentam maior desespero e maior preocupação ansiosa. Já as mulheres com menor escolaridade apresentam maior espírito de luta e mais evitamento cognitivo. Contudo, as mulheres com maior escolaridade apresentam maior satisfação com os amigos. Portanto, a hipótese 9 é rejeitada.

Tabela 7

Comparação Entre Mulheres com Maior e Menor Escolaridade Relativamente ao Sofrimento Emocional, Adaptação, e Satisfação com o Suporte Social

Nível de Formação N M dp t df p
Termómetros Emocionais: Sofrimento Emocional 4º Classe 21 5,90 3,145 1,682 42 0,100
12º Ano 23 4,26 3,320
Termómetros Emocionais: Ansiedade 4º Classe 21 5,86 3,381 0,869 42 0,390
12º Ano 23 5,00 3,162
Termómetros Emocionais: Depressão 4º Classe 21 4,90 3,687 1,729 42 0,091
12º Ano 23 3,09 3,288
Termómetros Emocionais: Revolta 4º Classe 21 4,10 4,098 1,874 42 0,068
12º Ano 23 2,04 3,140
Termómetros Emocionais: Necessidade de Ajuda 4º Classe 21 3,86 3,021 -0,185 42 0,854
12º Ano 23 4,04 3,599
Desespero 4º Classe 21 23,476 3,932 -2,527 42 0,015
12º Ano 23 25,957 2,477
Preocupação Ansiosa 4º Classe 21 17,952 5,220 -2,647 40 0,012
12º Ano 21 22,6190 6,168
Espirito Luta 4º Classe 20 14,900 1,210 2,764 41 0,009
12º Ano 23 13,1749 2,552
Evitamento Cognitivo 4º Classe 21 14,191 1,887 3,298 41 0,002
12º Ano 22 11,182 3,750
Fatalismo 4º Classe 21 15,048 1,658 1,442 40 0,157
12º Ano 21 14,286 1,765
Satisfação com Amigos 4º Classe 21 9,286 1,927 -2,421 42 0,020
12º Ano 23 10,783 2,152
Intimidade 4º Classe 21 9,857 2,937 -0,358 42 0,722
12º Ano 23 10,174 2,933
Satisfação com Família 4º Classe 21 4,476 3,614 0,050 42 0,961
12º Ano 23 4,435 1,647
Atividades Socias 4º Classe 21 9,810 3,776 0,408 42 0,685
12º Ano 23 9,348 3,725
Sofrimento Mental Global 4º Classe 21 24,619 13,522 1,581 42 0,121
12º Ano 23 18,435 12,435
Adaptação Global 4º Classe 20 89,250 11,021 -0,849 38 0,401
12º Ano 20 91,950 9,000
Satisfação com o Suporte Social Global 4º Classe 21 33,429 5,8187 -0,662 42 0,512
12º Ano 23 34,739 7,175

Hipótese 10: As mulheres submetidas a cirurgia da mama conservadora revelam-se mais adaptadas, com menor sofrimento emocional e menor satisfação com o suporte social, pois uma vez que mantêm o seu aspeto físico se adaptam melhor à situação e desta forma não percecionam um melhor suporte social pois uma vez que os familiares e amigos não as veem como tão dependentes e debilitadas.

Relativamente ao tipo de cirurgia realizado, as utentes que realizaram cirurgia não conservadora apresentam maior satisfação com a família (Tabela 8). Desta forma, a hipótese é rejeitada pois não há resultados estatisticamente significativos que a comprovem, contudo podemos verificar a tendência para as mulheres que realizaram cirurgia não conservadora apresentarem maior satisfação com a família.

Tabela 8

Comparação Entre Mulheres Submetidas a Cirurgia Conservadora e não Conservadora da Mama Relativamente ao Sofrimento Emocional, Adaptação, e Satisfação com o Suporte Social

Tipo de cirurgia N M dp t df p
Termómetros Emocionais: Sofrimento Emocional C 26 4,54 3,558 -1,843 29 0,076
NC 5 7,60 2,191
Termómetros Emocionais: Ansiedade C 26 4,92 3,149 -0,791 29 0,435
NC 5 6,20 4,147
Termómetros Emocionais: Depressão C 26 3,42 3,062 -1,097 29 0,282
NC 5 5,20 4,604
Termómetros Emocionais: Revolta C 26 2,73 3,424 -1,035 29 0,309
NC 5 4,60 5,079
Termómetros Emocionais: Necessidade Ajuda C 26 3,38 2,858 0,285 29 0,778
NC 5 3,00 2,121
Desespero C 26 25,039 2,778 1,773 29 0,087
NC 5 22,600 3,050
Preocupação Ansiosa C 24 21,583 5,149 0,786 27 0,439
NC 5 19,400 7,956
Espirito Luta C 25 13,800 1,732 -0,983 28 0,334
NC 5 14,600 1,140
Evitamento Cognitivo C 25 12,000 3,571 -0,934 27 0,359
NC 4 13,750 2,630
Fatalismo C 25 14,720 1,768 -1,322 28 0,197
NC 5 15,800 0,837
Satisfação com Amigos C 26 9,962 3,066 0,683 29 0,500
NC 5 9,000 1,225
Intimidade C 26 9,500 2,657 1,541 29 0,134
NC 5 7,400 3,507
Satisfação com Família C 26 4,615 2,080 -2,095 29 0,045
NC 5 7,800 6,573
Atividades Socias C 26 8,077 4,127 -0,907 29 0,372
NC 5 9,800 1,789
Sofrimento Mental Global C 26 19,000 12,166 -1,196 29 0,242
NC 5 26,600 17,416
Adaptação Global C 23 91,652 6,997 0,527 25 0,603
NC 4 89,250 15,196
Satisfação com o Suporte Social Global C 26 32,154 8,748 -0,455 29 0,653
NC 5 34,000 4,796

Note. C = Conservadora; NC = Não conservadora.

Discussão [TOP]

Tendo em conta os resultados apresentados, podemos concluir que se verificam diferenças entre o período pré e pós-operatório ao nível emocional, principalmente no que diz respeito à diminuição da ansiedade do período pré para o pós-operatório. Esta situação demonstra uma necessidade de intervenção psicológica no período pré-operatório incidindo sobretudo ao nível do controlo da ansiedade. É também importante referir que se verificam níveis de depressão, revolta e sofrimento global mais elevados no período pré-operatório, com tendência a diminuir no período pós-operatório, evidenciando também a necessidade de intervenção nestes âmbitos no período pré-operatório. Verifica-se um aumento da necessidade de ajuda, embora não estatisticamente significativo no período pós-operatório, o que nos leva a concluir que a intervenção psicológica no período pós-operatório necessita ser mais direcionada para esta problemática. No período pré-operatório as mulheres estão bastante focadas na doença e no controlo da mesma, revelando mais sofrimento. Já no período pós-operatório as pacientes sentem que a sua situação clínica possa estar de certa forma controlada, levando-as a direcionar-se para a recuperação da cirurgia e para a necessidade de ajuda para a mesma.

Relativamente à comparação entre o cancro da mama e a reconstrução oncoplástica, podemos referir que na segunda situação as utentes revelaram maior intimidade, mais atividades sociais e consequentemente também uma maior adaptação global ao cancro e satisfação com o suporte social global. Estas demonstraram também maior espírito de luta e satisfação com os amigos, o que revela que se encontram mais adaptadas do que as mulheres em tratamento para o cancro da mama e cancro ginecológico, fatores que poderão estar relacionados com a imagem corporal e assim influenciar a sua adaptação à situação laboral, à família, à intimidade e disponibilidade para os outros. Porém também revelaram maior desespero, evitamento cognitivo e fatalismo. Desta forma, estas mulheres, apesar de mais adaptadas ao cancro devido ao processo e à fase em que se encontram, revelam também algum desgaste pela extensão do mesmo. Relativamente ao cancro da mama, estas apresentam maior sofrimento global, contudo maior satisfação com a família o que pode refletir a questão do cancro da mama poder ser encarado como um momento de maior crise que a fase de reconstrução, levando a que os familiares estejam mais presentes nesta fase. Estes resultados são corroborados pela literatura pois, emocionalmente, as mulheres na fase de reconstrução oncoplástica adaptam-se facilmente e adequadamente, o que significa que esta tem um papel significativo na forma como as mulheres lidam com as diversas experiências de ser uma sobrevivente de cancro da mama, pois a reconstrução ajuda a esquecê-lo (Spector et al., 2011).

Quanto à influência do estado civil na adaptação ao cancro, verificou-se que a revolta revela-se superior nas mulheres casadas e a satisfação com a família é mais elevada nas mulheres solteiras. Outros resultados apontados, como um maior sofrimento emocional, maior preocupação ansiosa e maior sofrimento global em mulheres casadas e maior ansiedade e necessidade de ajuda em mulheres solteiras, não obstante apresentarem também maior espírito de luta, maior intimidade, mais atividades sociais, maior adaptação, e satisfação com o suporte social global, o que demonstra que as mulheres solteiras apresentam melhor adaptação global e satisfação com o suporte social. Confrontando com as investigações existentes nesta área, estas demonstram que as mulheres com parceiros íntimos experienciaram mais problemas com a adaptação social. Desta forma, é visível que as mulheres sem marido/companheiro, ou seja, que são solteiras, divorciadas ou viúvas não parecem estar em maior risco para problemas/dificuldades relacionadas com a adaptação física ou emocional, pois as mulheres com companheiros demonstram maiores dificuldades/preocupações no que diz respeito à sua vida doméstica e social (Sherman et al., 2009). Ao longo da experiência da doença, os profissionais de saúde necessitam avaliar mulheres com cônjuges ou outras pessoas significativas, para a sua adaptação social e doméstica e oferecer aconselhamento ou outros serviços de apoio para promover a adaptação social, quer à mulher quer ao respetivo cônjuge.

Os resultados, ao demonstrarem que as mulheres mais velhas revelam maior sofrimento, não corroboram investigações anteriores que referem que as mulheres mais velhas experienciam menos distress psicológico em termos de ansiedade, depressão e sintomas de stress pós-traumático (Mosher & Danoff-Burg, 2006). Uma vez que o grupo de mulheres mais novas revelam maior desespero, são as mulheres mais velhas que evidenciam maior espírito de luta, pois segundo Sarafino (2002), os adultos jovens demonstram frequentemente mais dificuldade em encontrar e utilizar estratégias de coping para enfrentar doenças mais sérias ou problemáticas do que o que se verifica com os mais velhos, pois as pressões para criar uma família ou falta de suporte social percebido podem contribuir para uma adaptação mais dificultada nas pacientes mais jovens. O cancro pode interromper o desenvolvimento educacional e da carreira para as mulheres mais jovens, originando reações de crise (Levine & Silver, 2007; Mosher & Danoff-Burg, 2006). Foram relatadas mais atividades sociais pelas mulheres mais novas, situação que pode estar relacionada com as atividades inerentes à idade e frequência das mesmas, estando também estas mais disponíveis para as mesmas. Uma intervenção pertinente para as mulheres de idade mais avançada poderá ser estimular a participação em atividades de interesse pessoal de forma a que a pessoa possa alargar a sua rede social e de apoio e se sinta realizada.

A literatura defende que outro fator que se revela protetor para a saúde da mulher é a amamentação pois demonstrou-se vantajoso na diminuição da incidência do cancro da mama e do ovário. Estimou-se que a incidência de cancro de mama nos países desenvolvidos seria reduzida para mais da metade (de 6,3% para 2,7%) se as mulheres amamentassem por mais tempo (Rea, 2004), contudo os resultados são divergentes na medida em que a maioria da nossa amostra (61,8%) amamentou. Esta situação poderá estar relacionada com o facto de não terem sido controladas outras variáveis que poderiam intervir neste resultado como o tempo de amamentação.

Relativamente à escolaridade, pode-se constatar que as mulheres com maior escolaridade apresentam maior desespero e maior preocupação ansiosa. Já as mulheres com menor escolaridade apresentam maior espírito de luta e mais evitamento cognitivo. O que pode demonstrar maior consciência e conhecimento do problema por parte das mulheres com mais escolaridade. Contudo, as mulheres com maior escolaridade apresentam maior satisfação com os amigos, pois deverão ser as mulheres mais novas, e como referido anteriormente, com mais atividades sociais, a ter maior escolaridade. Segundo Watts et al. (2011), um elevado nível de escolaridade pode também estar associado a uma melhor capacidade de comunicação ou de negociação, o que facilita o acordo entre estes casais e os assuntos relacionais. Assim, a intervenção deverá abranger a população de doentes oncológicas com menor escolaridade no sentido de as manter informadas acerca da sua doença, dos seus tratamentos, na adesão aos mesmos e para que se mantenham sempre ativas relativamente à sua situação clínica.

No que concerne ao tipo de cirurgia realizada, as utentes que realizaram cirurgia não conservadora apresentam maior satisfação com a família, contudo revelaram também maior sofrimento emocional, maiores níveis de ansiedade, mais depressão, revolta, evitamento cognitivo, fatalismo e sofrimento global, maior espírito de luta e satisfação com o suporte social, pois ao apresentarem maior fragilidade e vulnerabilidade, necessitam de maior apoio e, desta forma, vão revelar maior satisfação com o suporte social. Já no que concerne à cirurgia conservadora, estas mulheres revelaram mais desespero, mais preocupação ansiosa, contudo mais intimidade e níveis mais elevados de adaptação. Confrontando com outras investigações, verificamos uma confirmação destes dados, pois segundo Rowland et al. (2000), as mulheres submetidas a tumorectomia, revelam resultados mais positivos do que mulheres submetidas a mastectomia, com ou sem reconstrução, uma vez que mantêm a sua imagem corporal o que se traduz num maior bem-estar e disponibilidade para se manter ativa e em interação com os que a rodeia. O facto de não retirar a mama também se traduz em menor incapacidade para a mulher, o que se reflete na sua qualidade de vida.

Esta investigação apresenta, contudo, algumas limitações. O facto da recolha da amostra ocorrer em situação de internamento, um local que dificulta a garantia de confidencialidade, uma vez que apenas as cortinas são utilizadas, o que não impede a propagação do som e faz com que as outras utentes consigam ouvir, assim como outros técnicos de saúde que fazem parte da dinâmica do internamento. Ao ter consciência desta situação as utentes podem enviesar as suas respostas por conformismo social. Outra lacuna a referir é o facto de não ter sido controlada a variável tempo de amamentação, de forma a verificar a possível influência desta na incidência de doenças oncológicas mamárias e ginecológicas.

No futuro, esta investigação deveria realizar-se de forma longitudinal, com o objetivo de investigar as alterações de cada mulher do período pré para o pós-operatório. Deveria também adaptar o local de aplicação dos instrumentos, o internamento, de forma a salvaguardando a confidencialidade na totalidade e ainda a variável tempo de amamentação. Finalmente, outro ponto a reformular seria realizar um levantamento de técnicas utilizadas pelas mulheres e consideradas como eficazes de forma a implementar com mulheres que não estão a adaptar-se ao cancro.

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